segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Poesia nonsense para camelos ou Poesia nonsense para um camelo.

Sódio;
Irmão do ódio.

O cio não tem ócio;
Tem negócio.

Oboé não é fóssil,
Nem fácil.
É oboé, ou não é?

O pio do pinto
Piou no meu ópio.

E o camelo se despediu
Chorando.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Mais um discurso sobre hipocrisia -talvez o mais ferido.

Às vezes eu me sinto como o Gregor, personagem principal do clássico A Metamorfose, de Franz Kafka.
Sérião.
Vejam só, que agora andam me chamando de louco, dizendo que eu estou "dando uma de retardado" e até blasfemando que essas minhas idéias para "passeios de índio", como preconceituosamente chamam, são coisas do capeta!
A questão é que estou sem internet em casa há seis meses, e a internet era o meu principal meio de lazer/distração em casa -e o que geralmente acontece quando não se paga pelo serviço, é que eles o cortam.
Bom, pelo fato de não ter uma HD das mais privilegiadas, e gostando muito de música, eu me via obrigado a gravar os álbuns e demais arquivos que eu baixava, em CD-Rs, para poder baixar mais.
Dentre esses demais arquivos, estavam certos eBooks, que eu sempre desprezei, mas que me foram bem úteis ultimamente.
Bom, a questão é que havia um eBook de nome Manual Prático De Delinqüência Juvenil, o qual eu jamais havia notado.
A leitura me agradou tanto que só fui dormir somente após o término da leitura, e já quase amanhecia.
O que acontece, é que depois de ler tal eBook, e me aprofundar no universo filosófico/literário que ele propunha/descrevia, depois de comprar um exemplar de CAOS, Terrorismo Poético e outros crimes exemplares, Hakim Bey, enfim, depois de baixar um monte de eBooks do mesmo assunto na casa da Letícia, mudei várias concepções que eu considerava inalienáveis e absolutas, e re-revi muitos conceitos.
Está muito certo, que a minha mudança de comportamento/pensamento já ocorria desde o meu ingresso no Tales de Mileto, conheci uma turma super-Gente-Fina na internet, e virei vegetariano, mas o Hakim Bey, seu Terrorismo Poético e Zona Autônoma Temporária, juntamente com o conceito de Anarquismo Ontológico, Solidarity, junto com um monte de fusões musicais incluindo Stormy Six e até Minimal Compact, incensos, Ennio Morricone a minha desKKKristianização em relação a aspectos banais, tais como vandalismo, amor molecular e assassinato e Oh!, espero não parecer confuso.
Agora a questão é: eu tento convencer os meus amigos a montar uma barraca na Praça Sílvio Romero com revistas CARAS penduradas com a inscrição Papel Higiênico ao alto, tive idéias sobre erguer muros estranhos, entrar de guarda-chuvas abertos no shopping e até quebrar a vidraça de um antro sujo uma igreja católica hipócrita no meu bairro; nenhuma das ações foram consideradas sadias por eles.
(Ir ao Shopping certamente é uma ação sadia.)
Okay, ninguém é cidadão, refletir é perguntar "por que as flores murcham?" e nada pode ser feito.
(Pode sim.)
Eu só não acho justo que existam pessoas assinando revistas como a CARAS, e crianças passando fome nas ruas, se alimentando do SEU lixo e, Oh!, o fingimento de que está tudo bem...
Esqueçam a TV, esqueçam a pastoral da criança (o HSBC um dia será derrubado como o governo estadunidense derrubou o WTC)...
Esqueçam o disco do Paul Simon...
O casal que deu um golpe ínfimo vendendo a vacina da febre amarela e que foi preso, é mil vezes menos digno de asco do que o casal que engana seus fiéis e que ainda lucram na TV, lá de Miami, o apóstolo e a bispa.
Pro inferno.
E nem me importo se foder-se-ão um dia, ou se vão arder no mármore do céu após a festa morte, a morte deles.
Eu me importo é com quem não tem idéia de tudo isso, da dominação, quem é chutado dos Shoppings Centers como um inseto, eu prezo o inseto, eu sou Gregor.
Leiam Kafka.

Tabus.

Sinceramente, eu não entendo qual é o problema da clonagem humana.
Pelo contrário, ao que parece, os estudos com células-tronco, que teriam originado um clone em um centro de pesquisa qualquer aí (perdoem a minha ignorância voluntária), parecem totalmente benéficos e importantes para a evolução da medicina.
Qual é o grilo, lá do Vaticano?
Eu não entendo.
Esses tabus todos me parecem algo tão... Idade Média, não que eu queira desqualificá-la, afinal, ela foi importante para história como qualquer outra.
Porém, já aconteceram e foram devidamente registrados, a Revolução Francesa, o Iluminismo... somos esclarecidos, certo?
Não.
Vamos falar sobre o aborto.
Realmente, é um crime medonho.
Quereis acabar com ele?
Proibireis, pois, a masturbação.
A cada minuto (eu não sei bem ao certo o ritmo), milhões de possíveis vidas são cruelmente desperdiçadas.
E tudo isso acontece porque o pecado do prazer momentâneo, essa perversão milenar que desencaminha e leva a cabeça frágil e ingênua dos nossos jovens para as mais terríveis trevas do espírito, não é proibido.
Em países sérios e esclarecidos da Ásia, por exemplo, onde a masturbação é um procedimento ilegal, as punições são severas, como a decapitação do criminoso em questão.
Minha opnião?
Acredito já ter alcançado meu êxito neste texto.
Passem bem.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Será que o papa também acha isso? ou Vocês queriam texto, agora deliciem-se -ou sodomizem-se.

Vocês viram essa?
Querem estudar os cérebros de uns moleques da FEBEM.
O intuito da pesquisa é provar que os criminosos têm predisposição à violência desde que nascem.
Eu, sinceramente, não acredito nesta causa.
Aliás, qual seria a diferença entre estudar o cérebro de um policial, um general ou um batedor de carteiras qualquer?
Na minha opnião, e na opnião de um grupo de advogados e sociólogos que assinaram um manifesto contra a pesquisa, esse tipo de estudo contribui ainda mais para a segregação de raças/classes.
Existe um argumento, e eu ainda não me decidi sobre ele, o qual diz que é indigno fazer tais testes com seres humanos, como se fossem cobaias.
Oras, a pesquisa é indolor.
Mas... Por que não o cérebro de um maníaco, um corrupto ou um policial, hein!?
Oh!, estou vaticinando: pessoas mirando para jovens segurando sub-metralhadoras e usando drogas, tudo à vista, nos morros cariocas, e dizendo que "Oh!, pobrezinhos, eles têm predisposição ao crime organizado".
Pois é, esses pobrezinhos com predisposição ao crime organizado, de uma forma ou de outra, têm de ser punidos detidos, afinal, a polícia tem o privilégio dever de matar bani-los da sociedade, e a polícia não tem predisposição alguma ao crime organizado.
Na escola, tentam nos dizer que os nossos antepassados se alimentavam de animais que caçavam, brigavam, massacravam outros grupos, cercavam mamutes e o amor era livre.
É justo dizer que um tinha mais predisposição à necrofilia, à fidelidade ou à caça do que outro, apenas por uma questão genética/hereditária, sendo que tais atos eram hábitos comuns na Idade da Pedra?
Bom, o que mais espero é que essa minha incredulidade tenha fundamento.
Se for divulgado que realmente os criminosos tiveram seu destino traçado em suas vidas intra-ulterinas, meu queixo cairá.
Mas, tipo, lembrem-se: na Alemanha nazista, as crianças aprendiam que a sua raça era superior a todas as outras.
Ah!, sei de um exemplo mais atual: os Estados Unidos.

O Jornal Nacional.

Camões: tão distante e tão atual.
Vocês prestam atenção nos jornais televisivos?
Aqueles dois agentes-da-verdade, com aquelas caras-de-nada, aquela voz quase monofônica, aquele cenário quase-monótono.
E como eles triunfam: oh!, o futebol, oh!, a Globo descobriu mais um escândalo.
Falácia.
A Globo é um escândalo.
Quem liga?
Quem liga pros mensaleiros absolvidos, aqueles que farão trabalho comunitário?
Isso não nos diz respeito, não é mesmo?
Tiveram sorte eles, né?
Ah!, mas aquele casal merecia ser punido mesmo!
Que casal?
Aquele que cobrou pelas vacinas de febre amarela.
São pobres, mereciam...
Argh!, aquela menina... hum... erm... de cor!
Oh!, vejam só!
Cobraram pelas vacinas de febre amarela!
Mas ninguém presta atenção nisso, né?
Não nos interessa quantas crianças morrem por dia por motivos idiotas, não nos diz respeito a vida particular dos nossos políticos burgueses.
Ah!, a novela...
Ah!, o reality show...
Mas esse estilo-de-vida é para poucos.
Sorte do mensaleiro que vai ajudar as criancinhas carentes.
Sorte dele.

1984 e a Realidade.

Há uns minutos atrás, eu terminei de ler o 1984, clássico universal do escritor inglês George Orwell.
1984 e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.
Sensacionais.
A crítica é da metade do século passado, mas continua, de alguma forma, atual.
Ambos discorrem, mais ou menos, sobre os mesmos assuntos, e prevêm um futuro completamente sistemático e maquiavélicamente organizado.
E, durante a leitura do Orwell, quantas vezes eu pensei que a realidade por ele prevista, e descrita, estava longe da minha, e que a crítica por ele discorrida não dizia respeito à época atual...
Como eu estava enganado.
Hoje à noite, voltando de metrô de uma sessão de cinema (nada a ver com sexo ou um jovem estadunidense que salva a pátria, a pátria dele; Across The Universe era o nome do filme), percebi que já até é capaz que estejamos vivendo numa sociedade do Grande Irmão.
O preço do transporte sobe todo o ano; cada vez mais o transporte se mostra ineficiente; as pessoas continuam indiferentes, como se isso fosse algo que não as dissesse respeito, como se aperto, esperas, greves inesperadas, fosse algo de corriqueirice nas cidades de Primeiro Mundo, e que fizesse parte da contínua manutenção dos meios de transporte público.
Pois tinha muita gente esperando o trem, que não chegava nunca.
Esperaram muito tempo, muito tempo mesmo.
Quando o trem chegou, houve até quem aplaudisse.
Na semana seguinte, ninguém mais lembrará disso.
E o Orwell também fala disso.
As pessoas ficam satisfeitas em chegar em casa e não perder o Festival de Verão do Salvador ou, em outras palavras, as pernas da Ivete Sangalo, porque isso as faz crer que está tudo bem, e é isso.
Outro aspecto presente no livro, além da perda da memória diária, é completa estagnação da classe baixa em relação aos eventos políticos: é a camada mais abundante da população que, se soubesse de seu poder, poria abaixo qualquer regimentação, se isso fosse de interesse.
Nos dois clássicos supracitados, a queda do governo não é o que realmente importa; em Admirável Mundo Novo, os trabalhadores trabalham quase que hipnóticamente (Ford é considerado uma entidade divina no livro), e ao final do dia recebem um comprimido chamado soma, uma droga alucinógena, aparentemente inofensiva.
Enfim, cheguei em casa após a sessão de cinema, terminei de ler o livro e resolvi prestar atenção um pouco à televisão.
Fiquem tranqüilos, era o jornal.
Uma reportagem falando sobre um software desenvolvido pela Microsoft, direcionado a empresas, o qual prometia manter o controle dos funcionários através da medição e análise da respiração e dos batimentos cardíacos deles, além de outras coisas, as quais eu naturalmente esqueci até chegar a este ponto do texto.
Porra, não lhes ocorre que esta é a maior falta de privacidade possível?
Está bem, ainda não chegou às nossas casas.
Ué, é questão de tempo.
Há pouco tempo, a Microsoft também lançara um sistema acoplado a certos futuros televisores, capaz de prever o que o espectador deseja assistir, a partir de dados colhidos antes e durante o uso do sistema.
Conforto?
Privacidade?
Quem não vê semelhança entre o software para chefes completamente sistemáticos e controladores, descrito há sete parágrafos, e uma teletela, não enxerga um palmo à frente do rosto.
Agora, quem não vê semelhança alguma entre o reality show Big Brother e o livro de Orwell, eu respeito.


Quinta-feira, 17 de janeiro de 2008.
Talvez seja importante ressaltar que é 01:44.
Talvez não.

Só faltava eu discursar sobre o Big Brother.

Eu podia escrever muitas linhas argumentando o porquê do meu ódio mortal pelo Big Brother, mas adiantava?
As pessoas não leriam e continuariam a dar audiência pra Globo.
E as pessoas sabem que aquilo é uma distorção tremenda, não só de 1984 do George Orwell, mas da realidade.
De doze participantes (?), apenas dois são negros; 70% da população brasileira é de pardos e negros.
Ah!, podem esquecer.
Eu já escrevi que a minha argumentação de nada vai valer.

Crise ou Sem Título Concreto.

No final do ano passado, eu estava caçando alguns livros para levar para a minha viagem de férias.
Então, dei-me de cara com um livro que eu havia comprado no final do ano retrasado, um livro quadrado e quase-grosso, brochura, uma coletânea de revistas.
"PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA NACIONAL", "DEFESA DA CULTURA NACIONAL" e "2", eram as frases que constavam na capa do livro que eu comprara apenas a dois reais, em um sebo.
O livro é dividido em sete partes (Folclore, Humor, Televisão, Teatro, Música, Artes Plásticas e Literatura) e todas as partes tem sempre a mesma formação: um ou dois textos expondo características de certo ramo artístico, correntes culturais, história e decadência de um movimento ou a biografia de uma personalidade importante para o desenvolvimento cultural do país; e depois dos textos, uma crítica.
O principal foco destas críticas, era uma crise de identidade cultural ocorrida graças à difusão em massa da cultura e estilo-de-vida estadunidenses e... o que mais me assusta nisto tudo, é que este livro é de 1983.

Feliz Ano Novo ou Da Minha Permanente Falta De Imaginação.

Durante umas duas semanas, eu sumi.
Andei perambulando por aí fazendo sei lá o quê.
Só sei que, hoje, eu já ando de bicicleta e sei imitar uma gaivota.
Ah, antes que eu esqueça, feliz ano novo aí pr'ocÊis.
E, realmente, não faço a mínima idéia de qual será o assunto do primeiro post de 2008.
Estou em dúvida se comento sobre Douglas Adams, se falo das minhas férias, se falo sobre a Bruna, se faço um mais um texto de teor político ou cultural, se escrevo uma poesia com paixão/coração/ilusão/desilusão/avião/solução ou se simplesmente esqueço isso tudo e termino o post por aqui.
Se vocês chegaram até esta linha, é porque eu batalhei.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Da Idiotice Humana ou Sobre Laranja Mecânica.

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, sem dúvida alguma, é um ótimo livro.
Forte, violento, maquiavélico, pessimista e realista, é um livro que exige uma certa reflexão.
Afinal, o debate apresentado sobre o Método Ludovico, uma espécie de lavagem cerebral desenvolvida para transformar delinqüentes em pessoas impolutas, merece maiores considerações.
É a tal coisa: até quando estaremos dispostos a abdicar da nossa liberdade para maior segurança? ou, no caso deste livro, o Estado pode ou não interferir na natureza humana a favor da ciência e da segurança "de todos"?.
Enfim, um método igual a esse, como foi exposto no livro, causaria para a vítima, uma difícil re-inclusão na sociedade, já que a violência é algo corriqueiro em nossas vidas.
Mas o que me deixa de fato emputecidamente... puto, é o fato dos jovens de hoje simplesmente lerem o livro e, ao invés de entenderem ou não entenderem o significado embutido nele, distorcerem o valor nele imposto.
Alguns criam gangues baseadas no livro e promovem um show, ou horrorshow, de vandalismo (isso é comum na minha cidade; São Paulo, SP, Brasil) às noites, como se Laranja Mecânica os obrigasse a isso.
Em 1968, Sharon Tate, atriz estadunidense, grávida na época, foi assassinada por um grupo de fanáticos liderado por Marc Chapman, que culpou o álbum homônimo dos Beatles (lançado no mesmo ano), que o teria induzido ao crime.
É a tal coisa; "Aqui parece reinar la opinión de que 'reflexionar' es cuando una persona pregunta por qué las flores se marchitan." (Rolf-Ulrich Kaiser).