quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Bossa Nova Is Dead ou A moda agora é namorar sentado.

Em um dia desses, eu assisti TV (não que eu faça disso um hábito).
Legal, não?
Pois assisti a um programa na TV Senado sobre música (eu não sei o nome; não é aquele do Artur da Távola).
Aliás, nem sei se é sobre música; só sei que haviam dois caras sendo entrevistados, e eles falavam sobre música.
Um deles, disse ser o dono do Clube da Bossa, um espaço aberto, segundo suas palavras, "para qualquer um" que deseja mostrar os seus dotes musicais bossanovísticos.
Durante o programa, vários representantes do Clube da Bossa se apresentaram, mas o que mais me chamou atenção na verdade foi, além da parcialidade do entrevistador, o teor crítico exposto no diálogo, o que acabou tornando o discurso falso e demasiadamente ReVoLuCiOnÁrIo !!!!!11!!!!!!!1!!
Chamo isto de falácia.
O entrevistado, cujo nome simplesmente ignorei, apresenta a re-divulgação da Bossa Nova como a salvação da música atual e o resgate da cultura nacional.
Falácia.
Se fala do apelo comercial presente nas músicas atuais; alusões ao sexo, às drogas, à violência, à vulgaridade, mas nada se pensa sobre o apelo existente nos clássicos da música popular brasileira.
É tudo uma questão de gosto; é óbvio que eu prefiro cantar alienatices como "o amor, o sorriso e a flor", com características dissonantes notáveis, a cantar Police, U2 ou As Meninas (mentira: eu gosto d'As Meninas; isso é bom).
Acho que me perdi.
Enfim, Bossa Nova não é o único movimento expressivo brasileiro que merece ser resgatado, afinal, ela teve suas influências: o jazz e o samba foram suas principais.
E não é certo, e isso é certo, que um movimento musical originado de outros dois, de origem humilde, seja apreciado exclusivamente pela elite.
Na minha (terrível) opnião, o que deveria acontecer, é próximo do que aconteceu (e paralelamente ao mercado, vêm acontecendo) na década de 60s; uma síntese de todos os estilos musicais de boa compreensão e qualidade.
E, aos emepebistas, bossanovistas e xiitas de plantão, lembrem-se: depois da Bossa Nova, perdeu-se pouco em harmonia, mas as letras ganharam maior complexidade e significado (Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Geraldo Vandré) e as interpretações se tornaram tão importantes quanto os itens supracitados (Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia).
Vale lembrar também nossos maravilhosos músicos, poucos com formação musical e estilo predominante da música cinqüentista (Zimbo Trio, Hermeto Pascoal, César Camargo Mariano, Lanny Gordin, Natan Marques, Sérgio Dias).
Estou com fome.
Um abraço, sir Rogério Duprat.

2 comentários:

Marcelo disse...

o problema da bossa nova eh q nao ha nada de novo ha seculos. novo, bom e divulgado

Juliana Freitas disse...

Eu gosto de Bossa Nova, mas ela já existe há meio século, se tivesse que salvar alguma coisa, já teria salvo!
E salvar do quê??? Olha que eu sou chata com música, mas cada um que ouça o que melhor lhe aprouver e estamos conversados. =P