segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Mais um discurso sobre hipocrisia -talvez o mais ferido.

Às vezes eu me sinto como o Gregor, personagem principal do clássico A Metamorfose, de Franz Kafka.
Sérião.
Vejam só, que agora andam me chamando de louco, dizendo que eu estou "dando uma de retardado" e até blasfemando que essas minhas idéias para "passeios de índio", como preconceituosamente chamam, são coisas do capeta!
A questão é que estou sem internet em casa há seis meses, e a internet era o meu principal meio de lazer/distração em casa -e o que geralmente acontece quando não se paga pelo serviço, é que eles o cortam.
Bom, pelo fato de não ter uma HD das mais privilegiadas, e gostando muito de música, eu me via obrigado a gravar os álbuns e demais arquivos que eu baixava, em CD-Rs, para poder baixar mais.
Dentre esses demais arquivos, estavam certos eBooks, que eu sempre desprezei, mas que me foram bem úteis ultimamente.
Bom, a questão é que havia um eBook de nome Manual Prático De Delinqüência Juvenil, o qual eu jamais havia notado.
A leitura me agradou tanto que só fui dormir somente após o término da leitura, e já quase amanhecia.
O que acontece, é que depois de ler tal eBook, e me aprofundar no universo filosófico/literário que ele propunha/descrevia, depois de comprar um exemplar de CAOS, Terrorismo Poético e outros crimes exemplares, Hakim Bey, enfim, depois de baixar um monte de eBooks do mesmo assunto na casa da Letícia, mudei várias concepções que eu considerava inalienáveis e absolutas, e re-revi muitos conceitos.
Está muito certo, que a minha mudança de comportamento/pensamento já ocorria desde o meu ingresso no Tales de Mileto, conheci uma turma super-Gente-Fina na internet, e virei vegetariano, mas o Hakim Bey, seu Terrorismo Poético e Zona Autônoma Temporária, juntamente com o conceito de Anarquismo Ontológico, Solidarity, junto com um monte de fusões musicais incluindo Stormy Six e até Minimal Compact, incensos, Ennio Morricone a minha desKKKristianização em relação a aspectos banais, tais como vandalismo, amor molecular e assassinato e Oh!, espero não parecer confuso.
Agora a questão é: eu tento convencer os meus amigos a montar uma barraca na Praça Sílvio Romero com revistas CARAS penduradas com a inscrição Papel Higiênico ao alto, tive idéias sobre erguer muros estranhos, entrar de guarda-chuvas abertos no shopping e até quebrar a vidraça de um antro sujo uma igreja católica hipócrita no meu bairro; nenhuma das ações foram consideradas sadias por eles.
(Ir ao Shopping certamente é uma ação sadia.)
Okay, ninguém é cidadão, refletir é perguntar "por que as flores murcham?" e nada pode ser feito.
(Pode sim.)
Eu só não acho justo que existam pessoas assinando revistas como a CARAS, e crianças passando fome nas ruas, se alimentando do SEU lixo e, Oh!, o fingimento de que está tudo bem...
Esqueçam a TV, esqueçam a pastoral da criança (o HSBC um dia será derrubado como o governo estadunidense derrubou o WTC)...
Esqueçam o disco do Paul Simon...
O casal que deu um golpe ínfimo vendendo a vacina da febre amarela e que foi preso, é mil vezes menos digno de asco do que o casal que engana seus fiéis e que ainda lucram na TV, lá de Miami, o apóstolo e a bispa.
Pro inferno.
E nem me importo se foder-se-ão um dia, ou se vão arder no mármore do céu após a festa morte, a morte deles.
Eu me importo é com quem não tem idéia de tudo isso, da dominação, quem é chutado dos Shoppings Centers como um inseto, eu prezo o inseto, eu sou Gregor.
Leiam Kafka.

2 comentários:

Phernando Faglianostra disse...

Tá a fim de acabar com a malandragem? Combata os otários.

Eu queria poder acordar e ver que virei um marimbondo.

Marcelo disse...

por um acaso, to lendo metamorfose, mas enfim, vc ainda tenta fazer algo, eu ja sou conformado, mas nao idiota, sei q o mundo eh uma merda e ponto