(Ficou ruim, mas posto mem'assim)
Era uma vez um cachorro.
Ele era dócil, obediente e quase pretensioso.
Ele só tinha um desejo, um desejo tão simples que, aos nossos olhos, pode parecer o mais tolo dos fetiches já existentes.
Desde que nasceu, o cachorro morou sempre com o mesmo dono; presenciou as principais passagens de sua vida, assim como o dono passou alguns de seus momentos mais importantes ao lado de seu cachorro, numa relação recíproca de amor e fraternidade.
Porém, existia uma terceira fonte de felicidade, praticamente inesgotável naquela casa, e desde cedo o cachorro percebeu o quão importante aquela fonte era, da qual ele jamais havia bebido, mas que seu dono julgava impossível viver sem.
Enfim, em um belo dia, aos 32 anos, o dono do cachorro faleceu silenciosamente no sofá.
Depois de um dia clamando para que seu dono acordasse, o cachorro percebeu que não haveria mais volta.
Então, aproveitando o momento terrívelmente propício, foi até a cozinha e Oh! Ali estavam elas, esperando por ele.
O cachorro se aproximou das garrafas.
Deu uma patada.
Deu duas.
Três, quatro.
Depois de um certo tempo, o cachorro já se sentia familiarizado com a morfologia daqueles objetos.
Como previsto, a sede, a vontade, a curiosidade de provar aquela bebida que tanto aprazia o seu recém-falecido dono foi aumentando, crescendo ao ponto de fazer com que o cachorro lutasse até o limite de suas forças para provar daquele néctar, agora à sua disposição.
O cachorro lutou, estapeou, cabeceou, escoiceou, esfocinhou...
Enfim, cansado, estressado e ensangüentado, o cachorro tomba.
Mas seu esforço não foi em vão: uma gota do líquido vermelho jorra da garrafa plástica e, milagrosamente, alcança as papilas gustativas presentes na língua do animal.
Agora ele já era feliz, podia morrer em paz, junto com o seu dono.
Fim.

3 comentários:
Pô véio, obrigado pelas visitas lá naquele meio muquifo bloguento, prometo frequentar essa tua espelunca com um mais de frequencia e pasme, até ler tuas sagradas bobagens pretendo.Será que estou virando viado?
É...
Se ele soubesse ele podia abrir uma igreja... ou talvez ministrar umas workshops pra juntar uns trocados por essas bandas...
Abraço
Dava uma boa propaganda para a Coca-Cola!
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