Cê vai me entender.
Eu cheguei ali, ela 'tava toda cocotinha, queria dar.
Queria dar sim, queria!
Cheguei e cumprimentei, mas daquele jeito, né... Cê sabe, aquele jeito, todo todo, a mina caiu muito facinha.
Té estranhei. Mas cá pra nós, se o homem tem charme... Quê? É, hahahahahahaha... Não, deixa eu falar! Se o homem tem charme já ganha a mina. Então, daí eu cheguei e joguei um lero, queria conhecer o jardim do xópim e sei lá o quê, nem lembro mais o que eu disse direito, hahahaha... A gente foi lá na fachada, né, e a daí a gente... É! Na fachada! Daí a gente ficamo lá mó cota, velho... Veeelho, nem te conto, bróder. A mina quis fazê um boquete lá mesmo. Caaara! Que nada, ô, cê é bróder, cê acha que eu ia zuar? Tô brincando nada, truta, a mina caiu de boca, véi. Inda depois veio com uns papo de homenagem, homenagi, uns treco lá, que tinha que chamar mais uma mina, sei lá o quê... Não, ô, cê tá loco, eu não faço isso não, tenho família, ô, hahahaha...
Mas a mina ficou jogando mó xaveco e não sei o quê... Quê? Foi té o final! É, pô, té o finalzinho. Sei lá, ela é loca! Ah! Passou, por quê, se interessô? Eu não, pra quê eu ia te dá? Aliás, té excluí o fone, que eu não ligo mais pr'ela não, mó biscatinha, ô, nem dá graça... Afe, se cê visse cê ia vê o que eu tô falando... Tô falando, véi! Biscatinha!
Juliana
Sei que você não responderá este e-mail. Sequer sei se você o lerá. Mas eu preciso lhe contar o que ando sentindo.
Depois que a gente conversou, o que era para ter sido definitivo e claro, estou cada vez mais confusa. Esta noite não deixei de pensar em você e em nossas horas juntas em momento nenhum. Sua imagem continua me atordoando, estou perdendo o fundo, tenho feito coisas ultimamente que eu jamais faria antes. Acho que estou enlouquecendo, Ju.
O Pacheco (lembra dele? o psicólogo que eu procurei nas férias) me disse que estou me auto-mutilando, cometendo ações que são prejudiciais ao meu corpo e à minha honra. Não sei se isso é verdade, mas uma coisa que eu li quando fiz o trabalho sobre Freud da faculdade (aquele que você viu no auditório, naquela noite em que você vestiu pela primeira vez o vestido verde que eu adoro) é que fins prematuros de relacionamentos podem acabar em um processo chamado enlutamento. E em últimas consequências a pessoa pode cometer o suicídio.
Aquele vinho barato que você escolheu na última compra que fizemos juntas (um tal Chalise, tinto suave) ainda está sobre a geladeira, esperando ser aberto em um momento apropriado. Espero que você não tenha que se vestir de preto para abri-lo. Mas se eu bem te conheço, se eu disser que morrerei amanhã, você vai mesmo é se vestir de branco e ir estourar uma champanha com as suas amigas que você tanto ama.
Juliana, estou enlouquecendo. Depois de tanto tempo juntas, esta separação me soa tão, mas tão insólita, e ao mesmo tempo tão artificial. E eu estou tão esperançosa de você retornar aqui para a minha casa, que ainda é sua, e ouvir aquela música que você gosta, comer aquela lasanha de frango, ou aquele purê de maçã, que sua mãe nos ensinou, passar mais uma madrugada acordada, só olhando para seus olhos e a armadilha que eles representam...
Não sei ainda por que você é tão presente em mim, mesmo estando tão confortavelmente longe como estás. L'amour est décidement un étrange sentiment.
Espero que você esteja bem, mesmo eu não estando.
Te amo, espero que as coisas fiquem bem pra mim. Se escrevi alguma besteira ignore, ainda estou sob efeito do Rivotril.
Da sua eterna Mona,
Simone.
domingo, 29 de novembro de 2009
Telefonema. Carta.
Isso pode até te lembrar
cores que pediram a conta do analista,
que poeira leve...,
solidão
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
eu acho que vc queria muito q alguem daniel lesse isso,
mais eh muito provavel que ele não vá!
não se machuque ok?
. nem me odeie
vai passar!
Postar um comentário