segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Você é um pseudo-pop-cult emepebista que acha que Vanessa da Mata é a salvação da Música (Im)Popular Brasileira?? Não leia este texto!!

Cara..
Por mais metido e pseudo-cult que eu seja..
Acho meio impossível suportar a Vanessa da Mata.
Eu realmente não consigo entendê-la.
De uma hora pra outra ela passou a fazer uma MPB pop aleninezada (não confundir alienada).
Eu não acho que ela seja uma das maiores cantoras da atualidade.
Ela deve ter "dado" pra crítica (puxa.. como eu sou vulgar. O que vocês acham de eu arder no mármore do inferno?).
Vejam bem, eu acho que a Badi Assad que, por ser de berço como a própria Vanessa, não busca muito por um público pop, faz um trabalho bem melhor.
Mas isso é quase lei.
A voz da Badi Assad e a da Vanessa da Mata são semelhantes.
A diferença é que a Vanessa da Mata aceitou se sujeitar a gravar coisas péssimas.
Mas eu nem acho que ela precisava.
Bom.. a Marisa Monte começou gravando coisa boa.
Quer dizer, melhor não vulgarizar..
A Marisa Monte -corrigindo- começou a carreira gravando MPB.
Mas.. sei lá.. depois de ganhar crédito com os emepebistas, talvez pelo fato de não estar satisfeita com a sua posição na High Society, inexplicavelmente, começou a gravar coisas bastante bregas e.. (Eros.. ¬¬) ou melhor, coisas com menos conteúdo que as canções anteriores. Seu colega Arnaldo Antunes também acompanhou o ritmo decadente da MPB.
E, meu caneco, MPB.
MPB não tem nada a ver com o que nós chamamos hoje em dia de MPB.
KLB, no sentido literário do termo, seria mais MPB do que propriamente Badi Assad ou Vanessa da Mata.
E a Maria Rita?
Eu não entendo por que se foi se instalando pelo senso comum dos brasileiros que a Maria Rita é uma péssima cantora.
As pessoas ignoram-na sem explicação.
Minto.
Existe uma explicação.
Só que ela é invisível e onipresente.
Aí fica difícil.
Talvez Deus tenha ordenado que as pessoas odeiem Maria Rita.
Tá certo que ela aproveitou.
Veio de berço, filha da maior cantora que o Brasil já teve (é minha opinião), e talz..
Mas eu não acho que ela seja ruim.
Na minha opinião (que vale mais que um quindim), Maria Rita é tão competente quanto Vanessa da Mata.
Aliás, a família "Mariano" é excepcionalmente ótima musicalmente.
Pedro Mariano, Maria Rita Mariano.. ótimos cantores.
César Camargo Mariano, um dos melhores pianistas/tecladistas que o Brasil já pariu.
João Menescal, filho de Elis Regina e Roberto Menescal, ótimo contrabaixista.
Elis Regina..
Eca.. em pensar que comecei esse texto falando da Vanessa da Mata.

Sábado, 1 de setembro de 2007

O Paradoxo da Mosca

Era uma vez uma mosca..
E ela não tinha querer,
Mas queria poder..
Poder querer algo.
Mas era só uma mosca..
E que uma mosca podia querer?
Eu sei lá!
Nunca conversei com uma..
Pelo menos eu acho.
E é difícil que eu converse ainda
Um dia com uma.
Vários mil anos de civilização racional,
E ninguém nunca ouviu uma mosca falar.
Talvez elas nunca tivessem oportunidade.
As pessoas que são cruéis, na verdade.
Um "bzzz" qualquer e lá se vai
A pobre mosca
De vida vazia.
O que a pobre fazia?
Sobrevivia.
Pobre mosca.
Vegeta em busca de alimento.
E vive em tormento:
Quer algo,
Mas não pode querer.
E o dia em que uma mosca
Começar a querer algo
E expressar seus sentimentos
Profundos e magoados,
Vai ser tarde demais:
Não haverá mais ninguém
Para poder escutá-la.

Sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Semana de prova no Tales de Mileto; disputas acirradas e muita emoção.

Puxa..
Eu estou tão feliz.
Tive um desenvolvimento ótimo na escola ultimamente.
Eu precisava desabafar.
Ainda não estou isento de uma possível recuperação.
Mas, eu acertei 31 questões de 32 (Inglês).
Tirei Dez de Matemática pelo primeira vez no ano (e numa prova trimestral onde teve gente que tirou Zero).
Nove e meio na média de história.
Nove na prova de Física.
Sete em literatura (maior nota da sala).
Sete em português (oito com o bônus da correção).
Estou confiante sobre Biologia: a (vaca da) professora deixou que nós colássemos durante sua própria prova.
Acho que ela fica excitada em fazer algo proibido.
Terceiro lugar na classe e também na escola no simulado: 43 de 80 questões.
Acham que eu fui mal?
Anik Iodes Perches: 19 de 80.
Queria mandar um abraço à Dani (companheira de Dez em Matemática e Dez em Inglês, segundo lugar no simulado (49 de 80), entre vários outros) e ao Pedro (primeiro lugar no simulado (50 de 80).. nossa.. pareço comentarista do Pan Americano).
Estou orgulhoso da minha sala (menos do Jay Gee, óbvio), os quatro primeiros lugares foram nossos no simulado. A Letícia ficou 7º. Felipe, irmão dela que está no segundo ano, em 5º. Jéssica, amiga do Felipe e da Anik, ficou em 8º.
Aconteceu uma coisa curiosa também.
Cinco pessoas da nossa classe ficaram em 10º lugar com 33 pontos.
Quatro dessas cinco (Mariana, Thayná, Jay Gee e Gabriel) acertaram quase que milagrosamente as mesmas questões.
Me desculpem mais uma vez, leitores (eu tenho leitores?).
Eu tinha que desabafar.

Sexta-feira, 31 de agosto de 2007
(ao som do 'primeiro lado' do álbum Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles de 1967)
o mês é agosto.. a gosto.. entenderam? isso não é engraçado?

Odeio ser conhecido. Odeio ser reconhecido.

Puxa, eu fiquei surpreso.
Sério mesmo.
Dia 26 (sábado) eu saí com Bruna e fomos até o parque do Piqueri no lado "Boulevard" do Tatuapé.
Logo na entrada do parque, uma menina cujo nome eu já havia esquecido há meses (anos?), passou por mim dizendo "'Tá namorando.."
Minha resposta foi a mais sutil possível.
"Não me diga.."
A questão é que, depois que eu deixei de frequentar a minha rua porque os moleques imbecis de hoje em dia só pensam em jogar futebol, empinar pipa e falar sobre o super vídeo-game que o pai dele se matou pra comprar (e se gabar disso), nunca mais conversei com bastante gente.
Muitos me cumprimentam até hoje.
Tá. Poucos. Tipo o Caique e o Vinícius (os nomes estão corretos?).
Rendi belas inimizades também.
Sem contar os preconceitos todos que eu sofri (haviam poucos na rua que não eram pardos, odiava (odeio) esportes, nunca tive vídeo-game, morei na Avenida Renata (lugar péssimo para se empinar pipa), até hoje nunca andei de bicicleta e sou obeso).
Ah.. durante algum pouco tempo eu tive um círculo de amizades bonito.
Rafael, Gabriel, Felipe "Café", Carlos Alex e Eu.. Daqui a cinco anos, ninguém mais saberá sobre ninguém.
Mas que desastre: todos mudaram, menos eu.
Primeiro o Felipe "Café".
Meu primo Fábio estava em São Paulo e dormira em casa.
Acho que era(m?) seis ou sete da manhã quando nós dois acordamos.
Fomos à casa do Carlos Alex (mesmo quarteirão) e deparamo-nos com um caminhão enorme na frente da casa do Felipe.
Despedimo-nos.
Depois disso, só o vi uma vez.
Inclusive, olhem que engraçado, os que estavam na rua eram o Felipe 'Leite', o Felipe 'Capuccinno' e o Felipe 'Café'.
Ocorre que o primeiro é extra-branco.
O segundo, pardo.
O terceiro, extra-negro.
E o Felipe 'Capuccino' também mudou.
Meu.. estou me sentindo extra-ridículo.
Cara, como eu me lembro dessas coisas?
Essas coisas aconteceram há alguns anos, já.
E..
Não me arrependo de ter brigado com o (José) Carlos Alex (Castilho Mato Valverde) -que nomezinho..
Que demônios estou falando?
Meu nome é Eros.
Bem..
Me senti tão feliz e satisfeito quando ele se mudou..
Deixamos de nos falar por anos.
Até que..
Ano passado (retrasado?), Paulo Renato e Eu achamos ele no orkut e, consequentemente, adicionamos ele no MSN.. mas a gente quase não mantém contato.
Ele me chama de "bunda fofa" até hoje.
¬¬
Eu deixei de frequentar a rua..
Tempos depois, fiquei sabendo que os gêmeos Gabriel e Rafael haviam se isolado.
Eles estavam fanáticos por vídeo-game além de passarem o dia inteiro vendo como seu baralho de Yu-Gi-Oh era bom.
Tá. Isso é mentira.
Eles também se mudaram.
Fora desses quatro principais amigos, tinham vários outros.
Todos se conheciam, ou quase todos.
Essa môça, a que me surpreendeu no parque, já mãe, era uma das pessoas que frequentavam a rua, mais precisamente, a porta de sua própria casa.
Era mais velha que a grande maioria das pessoas lá.
(Hoje, cumprimentando o Caique e o Vinícius eu me sinto bem ridículo por ter sido tão infantil um dia.. ou melhor, acho que eles que não cresceram.)
Ocorre que dia 27, Segunda-feira, me dirigia ao Amaral, a padaria mais cara e também a mais próxima que o meu corpo preguiçoso pode suportar, passei por essa mesma môça.
De longe, ela já começou com um discurso convincente, emocionante e sem direito á réplica contra minha pessoa.
"Nossa.. você é muito mal-educado, hein!? Ontem eu 'tava só brincando e você 'E..!' Parece que quando mais cresce fica cada vez mais gordo, e mais bobo, e mais.."
Quando dei por mim, ela já estava a centímetros-luz de mim novamente e ainda continuava a me praguejar.
Após a compra de alguns poucos pães no Amaral, desci para a minha casa novamente -como se eu tivesse outro endereço.
Quase na entrada da minha 'viela' (isso é tão cruel..), me surpreendi com ela novamente e, fui mais rápido.
"Desculpa?"
Ela abriu um enorme sorriso.
"Tá desculpado."
Desci minha viela pensando "Preciso colocar isso no blogue."
Só que aí eu durmi.


Sexta-feira, 31 de agosto de 2007
(ao som do Revolver dos Beatles (1966) inteiro)

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Orelha caída, pirata de vidro e orelha de pau.

Que isso tem a ver?
Tem a ver que eu estou estreando meu lugar aqui no blogue, sabe com é, né? Ou melhor, é blog, porque eu sou bem mais descolado que todo mundo que vocês todos aí que estão lendo um dia vão ver, viram ou virão porque.. sabe com é, né? Sou eu. A tia Frita.
Nasci dentro de uma carnaúba. Zeus deu uma machadada na cabeça de alho e finish.
Nasci.
E assim foi.
E que assim seja.
Porque.. sabe como é, né? Sou eu. A tia Frita. Eu já fui um dente de alho.
Cara.. ..mba
Eu sou bem descolado. Ou seria descolada?

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Que fazer para que o meu brogue sobreviva. ou O que acontece quando falta extrato de noz de cola no sangue.

Cansei de falar mal de mim.
Aliás, essa história de falar mal já coisa comum.
Nem teria graça se eu falasse mal de você ou dos outros pois falar mal já é algo arraigado em nós.
Mas falar bem também.
Logo, a moda é ser imparcial.
Mentira.
Odeio imparcialidade.
Mas não odeio a Wikipédia.
Deve ser porque a Wikipédia não é imparcial.
Mas a Wikipédia é uma das melhores ferramentas virtuais.
Onde estava?
Eu acho que vou inventar algum personagem e fazer com que ele me ajude neste brogue.
Porque só eu aqui não faço verão.
Vejam bem.. a maioria dos textos aqui não fazem o menor sentido.
Tá.
Alguns podem fazer
Mas eles estão repetitivos e isso é inegável.
Tá.
Pode ser até negável.
Mas eu preciso melhorar isto.
Criando um personagem?
Nossa.. grande diferença fará.
Ah.. quem sabe?
E que diferença fará se alguém saber?
Minha nossa.. saber o que?
Minha nossa?
Minha nossa o quê, Éris?
->:::<-
Talvez eu precise de mais férias.
Talvez eu esteja tendo uma abstinência de refrigerante.
Hey.. me dêem Coca-Cola.
Por favor..



Quarta-feira, 22 de agosto de 2007

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Sobre o Passeio da Dani

Passeios da Dani.
Um melhor do que o outro.
Hoje, fomos ao Centro Cultural Nossa Caixa e vimos uma exposição de fotos mágicas sobre o Haiti.
Nós pudemos ver que o Haiti tem seu lado cultural e belo.
E, também, que o Vodu (religião predominante) nada tem a ver com aquela história com os bonequinhos que nos filmes enlatados estadunidenses -assim como desenhos- são colocados.
Na verdade, aqueles bonecos são uma distorção exagerada de UM pequeno afluente da religião Vodu.
Depois fomos à exposição fixa do Centro Cultural Nossa Caixa.
Fomos aos antigos escritórios onde várias coisas foram preservadas, inclusive uma sala onde Getúlio Vargas trabalhou -e nós pisamos no mesmo piso que ele.. grande coisa?
Depois do monitoramente, a Dani (profª) nos 'liberou' e nós pudermos então vasculhar e 'xeretar' pelas salas.
Juntos, eu, Dani (aluna), Alex e André tentamos abrir várias portas (algumas com sucesso) em busca de tesouros perdidos -puxa, que texto inverossimilhantemente didático.. tem até as palavras xeretar e inverossimilhantemente!!
Mas, realmente.. o passeio foi incrível -embora alguns alunos parecessem mortos.. mas esses estão mortos em todos os passeios.
Ha!! Eu e Letícia levamos cartões-postais.. isso não é incrível?
Não?
Imaginei.


Terça-feira, 21 de agosto de 2007

A Bossa No Paramount II

Sim..
A Bossa No Paramount é minha.
E daí?
Grande diferença fez.
Essa história só ajudou a alimentar minha índole má-acostumada e mimada.
Mas.. vejam bem..
É lindo.
Só a capa tem cheiro de raridade.
E uma novidade: o disco custava R$12,50.
O cara tinha me passado o preço errado.
Felizmente, eu tinha o dinheiro.
E.. apesar de o LP não ser original como fora garantido a mim no sábado, eu me dei por satisfeito.
Bruna comprou um exemplar brasileiro do Help! (The Beatles) por cinco reais -eu teria comprado o Revolver.
A Baratos & Afins é realmente um sonho.
Poucas lojas como a Medusa Records e a Blackbird se comparam a ela.
Mas se tratando de LP's, a Baratos & Afins vence até o sebo do Messias na Sé.
Depois que eu assinei a banda larga, por poucas vezes comprei discos.
Geralmente eu só compro aqueles que eu cobiçava há tempos (Dois Na Bossa, A Bossa No Paramount) ou os que eu batia o olho e tinha ânsia de comprar (Quarteto Para O Fim Dos Tempos de Olivier Messiaen).
Minha nossa (?).. o disco homônimo da banda Bango por cento e poucos reais. Velvet Underground & Nico importado por cem reais. Não Fale Com Paredes do Módulo 1000 (um dos discos mais raros do mundo) por mais de seiscentos reais.
Imaginem vocês que eles não tinham nem o álbum da Silvinha de 1971 nem o álbum dos Mutantes de 1968 (e nem o de 1969).
Eles só tinham o Ao Vivo de 1976, o Mutantes e Seus Cometas No País dos Baurets e o A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado.
E é isso aí.
Um dia, eu ainda vou ter o Bango (1971), o Silvinha (1971), Ednardo e o Pessoal do Ceará (1973), o Gilgamesh (1975), o Onze Dances Pour Combattre La Migraine (Aksak Maboul, 1977), o Double Bummer (BongWater, 1988) e o Mutantes (1968).
Mas por enquanto eu almejo o A Noite (2007) do Projeto B e um disco que só tem na Inglaterra ou nos EUA: o homônimo do The United States Of America de 1968 -só que esse é bem raro e caro.
Por enquanto, é só sonhar.
Ah.. eu posso não ter Odessey & Oracle, mas eu tenho A Bossa No Paramount.
E eu 'tô tão feliz..
Principalmente porque VOCÊ não tem A Bossa No Paramount.
Né?


Segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Comunicado

Como eu não sou um jovem riquinho e playboy da classe média alta, eu comunico que não vou poder ir à lan house com assídua frequência para postar um texto por dia (não que isso dependa da minha camada social.. ou depende?).
E eu sei que [quase?] ninguém lerá todos os meus novos posts.
Mas.. fazer o quê?

Segunda, 20 de agosto de 2007

Discurso sobre a minha impotência e De como as cores de Donovan influenciou Monet

Odeio ficar sem internet.
Eu me sinto tão impotente e dependente..
Pior que isso, eu me sinto altamente alienado.
Pela internet eu faço coisas muito mais interessantes do que quando eu estou sem internet.
Tá. Talvez eu nem faça, mas eu me sinto bem entediado quando não posso usar a rede.
Afinal, eu conheci uma grande parcela de pessoas pela internet.
Pessoas com o mesmo interesse.
Pessoas que não vão chorar no meu enterro, mas pessoas que de alguma forma são como eu.
Tá. Elas nem são.
Mas eu me sinto feliz vivendo iludido.
Nossa. A conversa está ficando um pouco profunda.
O ruim do blogue é isso.
Não existe discussão.
E eu, psicologicamente carregado, transformo esse site no palco dos mais terríveis desabafos possíveis.
Isso é tão perverso..
Ou seja, quando eu estou sem a internet, sou privado de manter contato com as pessoas que de certo modo me distraem. Eu me sinto menos pressionado.
Sem contar nas coisas boas que, realmente, a internet tem a oferecer.
Eu diria que 90% das coisas que eu ouço atualmente, tive contato primeiramente através da internet.
E eu me sinto tão foda..
Eu me acho o máximo.
A internet aumenta a minha auto-estima, me estimula a aprender novas coisas, amplia meus horizontes, me distrai.. é a minha principal modalidade de lazer.
Ou seja, sem internet, eu sou um completo fracassado depressivo.
Tá. Eu já sou um fracassado.
Não tenho quase amigos de carne e osso.
Mas implorar a pessoas que eu nunca verei que comentem no meu blogue parece bem mais fácil do que jogar futebol ou empinar pipa.
Sem contar que ao recusar a jogar futebol e empinar pipa para passar mais tempo no computador pesquisando sobre estilos músicais que eu nunca teria chance de conhecer sem internet, eu posso me metidar com as pessoas que só pensam em jogar futebol e empinar pipa.
E eu sou muito metido.
Tá. Eu sou metido dentro de limites.
Eu sou egoísta mas também sou humilde.
E só um pouco controverso.
Vou parar de desabafar por intermédio deste site.
Tenho medo de que os leitores caiam na depressão.
A questão é: quanto mais tempo eu fico sem internet, mais depressivo, chato e entediado eu fico.
Este texto foi escrito ao som de Vine Street, Palm Desert, All Golden e Donovan's Colours, todas de Van Dyke Parks, indicação de um dos meus amigos invisíveis, Bernardo.
Pois é.. sem internet, fico sem descobrir coisas bizarras que atendam ao meu insaciável ouvido.
Sem contar o tempo que eu fico observando o meu last.fm e imaginando quantas pessoas tem medo de mim -ou que me odeiam por não me compreenderem.
Este texto já está demasiado grande.
Estou quase certo que o sidjaum (mais um amigo invisível) não o lerá.
E o pior.. ele é o único frequentador do meu blogue.
Os outros, eu obrigo a comentarem.



Eu só sei que tudo some em Donovan's Colours.
Eu tenho a impressão de que tudo brilha.
O barulho das castanholas.. Ah.. As castanholas -e eu nem sei se são castanholas..
As castanholas são o ruído da bicicleta que, enferrujada, é tirada à força da garagem com uma violência de uma tempestade que sutil destrói um vilarejo.
O menino sai pedalando imponente como se só um furacão pudesse detê-lo.
Vai em sua vórtice por entre a grama e as árvores numa aventura sem fim -e essa música é uma aventura.
Logo, ele chega a uma descida.
Ele cai.. Se suja na lama mas ele levanta e segue sorridente.
É algo tão erudito e tão.. popular.
É algo que me deixa realmente revitalizado e feliz.
E é tudo tão claro.. alvo e desfocado como uma pintura impressionista.
Acho que era Monet.


Domingo, 19 de agosto de 2007