Eu me sinto tão impotente e dependente..
Pior que isso, eu me sinto altamente alienado.
Pela internet eu faço coisas muito mais interessantes do que quando eu estou sem internet.
Tá. Talvez eu nem faça, mas eu me sinto bem entediado quando não posso usar a rede.
Afinal, eu conheci uma grande parcela de pessoas pela internet.
Pessoas com o mesmo interesse.
Pessoas que não vão chorar no meu enterro, mas pessoas que de alguma forma são como eu.
Tá. Elas nem são.
Mas eu me sinto feliz vivendo iludido.
Nossa. A conversa está ficando um pouco profunda.
O ruim do blogue é isso.
Não existe discussão.
E eu, psicologicamente carregado, transformo esse site no palco dos mais terríveis desabafos possíveis.
Isso é tão perverso..
Ou seja, quando eu estou sem a internet, sou privado de manter contato com as pessoas que de certo modo me distraem. Eu me sinto menos pressionado.
Sem contar nas coisas boas que, realmente, a internet tem a oferecer.
Eu diria que 90% das coisas que eu ouço atualmente, tive contato primeiramente através da internet.
E eu me sinto tão foda..
Eu me acho o máximo.
A internet aumenta a minha auto-estima, me estimula a aprender novas coisas, amplia meus horizontes, me distrai.. é a minha principal modalidade de lazer.
Ou seja, sem internet, eu sou um completo fracassado depressivo.
Tá. Eu já sou um fracassado.
Não tenho quase amigos de carne e osso.
Mas implorar a pessoas que eu nunca verei que comentem no meu blogue parece bem mais fácil do que jogar futebol ou empinar pipa.
Sem contar que ao recusar a jogar futebol e empinar pipa para passar mais tempo no computador pesquisando sobre estilos músicais que eu nunca teria chance de conhecer sem internet, eu posso me metidar com as pessoas que só pensam em jogar futebol e empinar pipa.
E eu sou muito metido.
Tá. Eu sou metido dentro de limites.
Eu sou egoísta mas também sou humilde.
E só um pouco controverso.
Vou parar de desabafar por intermédio deste site.
Tenho medo de que os leitores caiam na depressão.
A questão é: quanto mais tempo eu fico sem internet, mais depressivo, chato e entediado eu fico.
Este texto foi escrito ao som de Vine Street, Palm Desert, All Golden e Donovan's Colours, todas de Van Dyke Parks, indicação de um dos meus amigos invisíveis, Bernardo.
Pois é.. sem internet, fico sem descobrir coisas bizarras que atendam ao meu insaciável ouvido.
Sem contar o tempo que eu fico observando o meu last.fm e imaginando quantas pessoas tem medo de mim -ou que me odeiam por não me compreenderem.
Este texto já está demasiado grande.
Estou quase certo que o sidjaum (mais um amigo invisível) não o lerá.
E o pior.. ele é o único frequentador do meu blogue.
Os outros, eu obrigo a comentarem.
Eu só sei que tudo some em Donovan's Colours.
Eu tenho a impressão de que tudo brilha.
O barulho das castanholas.. Ah.. As castanholas -e eu nem sei se são castanholas..
As castanholas são o ruído da bicicleta que, enferrujada, é tirada à força da garagem com uma violência de uma tempestade que sutil destrói um vilarejo.
O menino sai pedalando imponente como se só um furacão pudesse detê-lo.
Vai em sua vórtice por entre a grama e as árvores numa aventura sem fim -e essa música é uma aventura.
Logo, ele chega a uma descida.
Ele cai.. Se suja na lama mas ele levanta e segue sorridente.
É algo tão erudito e tão.. popular.
É algo que me deixa realmente revitalizado e feliz.
E é tudo tão claro.. alvo e desfocado como uma pintura impressionista.
Acho que era Monet.
Domingo, 19 de agosto de 2007

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