Gente..
Sabe o que é mais incrível do que falarem que tu tem mal gosto?
É ouvir isso de uma pessoa de péssimo gosto.
Sério mesmo.. várias pessoas com gosto péssimo, ao se depararem com algo que eu ouço e que não é de conhecimento de tais, já criticaram o meu gosto musical.
O pior é quando sabes que o que ouves é centenas de vezes melhor do que as pessoas que criticam o teu gosto musical costumam ouvir.
Será que estou me expressando da melhor maneira?
Tem várias pessoas que visitam o meu blogue e nenhuma tem um gosto musical tão deprimente como o das pessoas que já riram do que eu ouço.
Uma vez fui vaiado no Gal. Othello Franco (minha ex-escola) quando disse que Garota de Ipanema, canção de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Morais (duvido que alguém não soubesse, mas..), era melhor que uma canção qualquer da Avril Lavigne que eles discutiam.
Posso ter acertado naquela mas, hoje em dia que eu sou uma pessoa mais crítica, diria que Garota de Ipanema nem merecia seu lugar no pódium de uma das mais executadas do mundo.
Tá. A Helô Pinheiro deve ter mais QI do que quem passa horas ouvindo Avril Lavigne.
Mentira.
Eu posso estar sendo preconceituoso mas existem coisas que devem ser discutidas inveitavelmente.
Tem gente que só conhece Avril Lavigne e que não tem o menor senso musical ou crítico devido a uma educação deficiente e que acha (e continuará achando) que Avril Lavigne é a coisa melhor do mundo, a salvação de seus problemas.
Mas não é só a educação que falha nesse contexto.
Há muito tempo que gravações da qualidade que nós merecemos pararam de frequentar as nossas rádios e televisões (em [quase] todos os gêneros).
As músicas hoje em dia (como se isso não fosse comum desde a década de 60s) não duram na rádio por mais de um mês geralmente, sendo que a qualidade destas (vocês estão entendendo, né? claro que eu não estou generalizando) tem diminuído gradualmente para atender a um público que cada vez mais busca (ou faz-se buscar) por músicas fáceis de serem compreendidas tanto no sentido musical quanto no sentido lírico.
Está aí o porquê do fracasso (no sentido comercial) de estilos esquecidos como a música conceitual, instrumental, erudito-clássica, experimental e world fusion e também de movimentos e cenas como o Rock In Opposition, o tropicalismo ou as bandas consideradas vanguarda¹.
Alguns estilos como o rap e o funk foram mais astutos e tiraram um dos elementos sonoros que mais demoraram a ser dominados que é a melodia.
E o pior é que essa onda de música ruim (sem generalizar) estendeu-se às chamadas tribos (nome ridículo) urbanas.
Cada tribo tem seu estilo musical representante mas todas carregam uma terrível característica em: a ausência de qualidade.
Mais uma vez: não estou generalizando.
Acho que todos (os que não tem preguiça de ler) aqui devem compartilham a minha angústia.
Se eu mostrasse este texto a um ex-amigo meu do Gal. Othello Franco, ele provavelmente desistiria no segundo parágrafo.
Mas.. sabem o que é engraçado?
Existem milhares de tribos (nome ridículo) urbanas e subculturas com estilos musicais e de vida mas, vejam que gozado, todas consomem as mesmas coisas.
É claro: as tribos de elite consomem as mesmas coisas enquanto as outras classes consomem as coisas comuns dentro de suas próprias liberdades, mas isso não significa nada: a música virou um produtinho de fast-food engana-estômago qualquer.
Espero estar sendo compreensivo.
Eu tinha que desabafar.. aliás, esse é o nó da garganta de muita gente que conheço.
O jeito é torcer para que a situação musical, não só no Brasil, mas na cena mundial, melhore nem que os músicos eruditos tenham de dar um golpe interestatal e monopolizar a música.
Sei lá.. às vezes eu fico pensando (vegetando?) se não seria melhor militares de bom gosto no poder do que os políticos corruptos de mal gosto musical que presidem o nosso Estado.
Estou brincando.
Talvez os músicos voltassem a ser mais criativos como os da década de 70s.
Mentira.
Essa história da boa música brasileira ter sido estimulada pelo Golpe Militar pelo próprio é mito.
Talvez não, mas existem motivos para que eu pense nisso.
E, mesmo que houvesse um novo golpe e a área criativa e musical fosse estimulada, ela estaria sujeita/destinada somente à elite.
Quase ninguém sabe, mas todos aqueles que são considerados os mestres da MPB e que foram de importante figuração na cena musical brasileira durante a década de 70s² não tinham um público tão vasto como se pensa.
A elite sempre foi o público alvo da (suposta) Música Popular Brasileira enquanto os que vendiam mesmo e ficavam no topo das paradas tais como Paulo Sérgio, Odair José, Fernando Mendes e outros, foram esquecidos por não se enquadarem em uma das duas vertentes da MPB: a tradição e o universalismo; segundo Paulo César Araújo, autor de "Eu Não Sou Cachorro Não".
Pode até ser que todos esses músicos possam não ter produzido obras-primas mas foram importantes no âmbito social e até na luta contra a ditadura, por tão incrível que isso possa parecer durante a década de 70s.
Mas, vejam bem.. não estou generalizando.
Com a vulgarização atual da música, o estilo que eles produziram na década de 70s acabou se tornando mais desfalcada em qualidade, vulgarizando o estilo como se ele tivesse sempre tido a intenção de ser comercializado.
Mas, poxa, até os Beatles produziram obras de fácil assimilação e altamente comerciais.
Mas a minha intenção agora não é polemizar -pelo menos em relação a isso.
É quase comum que as elites é que optem pelo que será registrado pela história para a posteridade e isso, naturalmente, se repete na questão musical.
Segundo Nietzsche, quem determina até o nome das coisas, são as classes dominantes.
Isso não é legal?
Não?
Droga.
Esse desabafo está tornando-se um épico, já.
Duvido que algum leitor chegue até aqui.
Mesmo porque estou falando sobre um tema sério e não sobre um amigo de setenta e poucos anos que foi comigo a um vernisage comer gratuitamente.
Eu não sei se levo a questão musical muito a sério.
Me corrijam se eu estiver errado.
Sabe o que é mais incrível do que falarem que tu tem mal gosto?
É ouvir isso de uma pessoa de péssimo gosto.
Sério mesmo.. várias pessoas com gosto péssimo, ao se depararem com algo que eu ouço e que não é de conhecimento de tais, já criticaram o meu gosto musical.
O pior é quando sabes que o que ouves é centenas de vezes melhor do que as pessoas que criticam o teu gosto musical costumam ouvir.
Será que estou me expressando da melhor maneira?
Tem várias pessoas que visitam o meu blogue e nenhuma tem um gosto musical tão deprimente como o das pessoas que já riram do que eu ouço.
Uma vez fui vaiado no Gal. Othello Franco (minha ex-escola) quando disse que Garota de Ipanema, canção de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Morais (duvido que alguém não soubesse, mas..), era melhor que uma canção qualquer da Avril Lavigne que eles discutiam.
Posso ter acertado naquela mas, hoje em dia que eu sou uma pessoa mais crítica, diria que Garota de Ipanema nem merecia seu lugar no pódium de uma das mais executadas do mundo.
Tá. A Helô Pinheiro deve ter mais QI do que quem passa horas ouvindo Avril Lavigne.
Mentira.
Eu posso estar sendo preconceituoso mas existem coisas que devem ser discutidas inveitavelmente.
Tem gente que só conhece Avril Lavigne e que não tem o menor senso musical ou crítico devido a uma educação deficiente e que acha (e continuará achando) que Avril Lavigne é a coisa melhor do mundo, a salvação de seus problemas.
Mas não é só a educação que falha nesse contexto.
Há muito tempo que gravações da qualidade que nós merecemos pararam de frequentar as nossas rádios e televisões (em [quase] todos os gêneros).
As músicas hoje em dia (como se isso não fosse comum desde a década de 60s) não duram na rádio por mais de um mês geralmente, sendo que a qualidade destas (vocês estão entendendo, né? claro que eu não estou generalizando) tem diminuído gradualmente para atender a um público que cada vez mais busca (ou faz-se buscar) por músicas fáceis de serem compreendidas tanto no sentido musical quanto no sentido lírico.
Está aí o porquê do fracasso (no sentido comercial) de estilos esquecidos como a música conceitual, instrumental, erudito-clássica, experimental e world fusion e também de movimentos e cenas como o Rock In Opposition, o tropicalismo ou as bandas consideradas vanguarda¹.
Alguns estilos como o rap e o funk foram mais astutos e tiraram um dos elementos sonoros que mais demoraram a ser dominados que é a melodia.
E o pior é que essa onda de música ruim (sem generalizar) estendeu-se às chamadas tribos (nome ridículo) urbanas.
Cada tribo tem seu estilo musical representante mas todas carregam uma terrível característica em: a ausência de qualidade.
Mais uma vez: não estou generalizando.
Acho que todos (os que não tem preguiça de ler) aqui devem compartilham a minha angústia.
Se eu mostrasse este texto a um ex-amigo meu do Gal. Othello Franco, ele provavelmente desistiria no segundo parágrafo.
Mas.. sabem o que é engraçado?
Existem milhares de tribos (nome ridículo) urbanas e subculturas com estilos musicais e de vida mas, vejam que gozado, todas consomem as mesmas coisas.
É claro: as tribos de elite consomem as mesmas coisas enquanto as outras classes consomem as coisas comuns dentro de suas próprias liberdades, mas isso não significa nada: a música virou um produtinho de fast-food engana-estômago qualquer.
Espero estar sendo compreensivo.
Eu tinha que desabafar.. aliás, esse é o nó da garganta de muita gente que conheço.
O jeito é torcer para que a situação musical, não só no Brasil, mas na cena mundial, melhore nem que os músicos eruditos tenham de dar um golpe interestatal e monopolizar a música.
Sei lá.. às vezes eu fico pensando (vegetando?) se não seria melhor militares de bom gosto no poder do que os políticos corruptos de mal gosto musical que presidem o nosso Estado.
Estou brincando.
Talvez os músicos voltassem a ser mais criativos como os da década de 70s.
Mentira.
Essa história da boa música brasileira ter sido estimulada pelo Golpe Militar pelo próprio é mito.
Talvez não, mas existem motivos para que eu pense nisso.
E, mesmo que houvesse um novo golpe e a área criativa e musical fosse estimulada, ela estaria sujeita/destinada somente à elite.
Quase ninguém sabe, mas todos aqueles que são considerados os mestres da MPB e que foram de importante figuração na cena musical brasileira durante a década de 70s² não tinham um público tão vasto como se pensa.
A elite sempre foi o público alvo da (suposta) Música Popular Brasileira enquanto os que vendiam mesmo e ficavam no topo das paradas tais como Paulo Sérgio, Odair José, Fernando Mendes e outros, foram esquecidos por não se enquadarem em uma das duas vertentes da MPB: a tradição e o universalismo; segundo Paulo César Araújo, autor de "Eu Não Sou Cachorro Não".
Pode até ser que todos esses músicos possam não ter produzido obras-primas mas foram importantes no âmbito social e até na luta contra a ditadura, por tão incrível que isso possa parecer durante a década de 70s.
Mas, vejam bem.. não estou generalizando.
Com a vulgarização atual da música, o estilo que eles produziram na década de 70s acabou se tornando mais desfalcada em qualidade, vulgarizando o estilo como se ele tivesse sempre tido a intenção de ser comercializado.
Mas, poxa, até os Beatles produziram obras de fácil assimilação e altamente comerciais.
Mas a minha intenção agora não é polemizar -pelo menos em relação a isso.
É quase comum que as elites é que optem pelo que será registrado pela história para a posteridade e isso, naturalmente, se repete na questão musical.
Segundo Nietzsche, quem determina até o nome das coisas, são as classes dominantes.
Isso não é legal?
Não?
Droga.
Esse desabafo está tornando-se um épico, já.
Duvido que algum leitor chegue até aqui.
Mesmo porque estou falando sobre um tema sério e não sobre um amigo de setenta e poucos anos que foi comigo a um vernisage comer gratuitamente.
Eu não sei se levo a questão musical muito a sério.
Me corrijam se eu estiver errado.
Quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Ao som da primeira à nona faixas do álbum Live At Montreaux Jazz Festival com Elis Regina gravado em 1979.
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1-Termos como música clássica, erudita e vanguarda são muito vagos. Não que Música Popular Brasileira também não o seja.
2-Quando cito a década de 70s, geralmente me refiro (pelo menos neste texto) ou ao período de duração do Governo Militar no Brasil (excluindo os últimos anos do governo quando a música de protesto foi adotada por bandas de rock na década de 80s) ou então ao período de 1968 à 1978, auge da música predominantemente ouvida pelas classes excluídas.

4 comentários:
Musica e futebol correm junto nisso de gostos e opiniões.
Eu , particularmente, larguei de mão. Até por que já discuti com um monte de gente.
A grande maioria não gosta de musica boa. Porém diz-se que o que a maioria ouve deve ser bom, pra tanta gente ouvir. O que é extremamente errado.
Eu sempre penso a mesma coisa: " Esse cara vai ter 70 anos e vai se dar conta de quanta "merda" ele ouvia naquela época".
abraço
A música hoje em dia é comercial,um jovem geralmente segue o estilo do outro e assim acaba tendo os mesmo consumos materiais (e claro,musicais que outro).Existem rádios especificadas a um grupo jovem (pelo texto que escreveu deveria estar sendo uma crítica direta ao tipo de sociedade jovem),essas rádios tocam o que eles consideram comercial e o que realmente faz sucesso entre a nova geração,não se trata diretamente na educação musical do indivíduo (até porque essa é considerada estupida pelos pais de hoje),se trata diretamente da influencia social dos jovens,isso não só se reflete musicalmente mas em outros aspectos,como citei acima,propriamente o modo de se vestir e outros bens de consumo (a mídia ajuda muito).
Bom,por fim,o resto nós discutimos depois.
I love you mysillyboyfriend.
Kisses
Olá...
Quando Avril Lavigne surgiu, as meninas da minha sala seguiram fielmente todo seu estilo de Rebelde sem causas. Iam até de grvata. Enquanto isso eu era a estranha da escola, a antiquadra.
Ok! Ainda bem que tudo isso acabou. até conhecer vc e vc me aprsentar Beatles. Mudou minha vida cara.
E depois fui evoluindo... até virara essa INDIE!(sou indie?)
Enfim... E concordo com comentário da Bah. Hoje se vendem tipos. Não músicas.
Só isso até mais.
Oii
Sabe a pior música...
não sei se é a pior...
é aquela.. Umbrella... acho que é da Ciara..
Under my umbrellaa aaa aaa
eee
byee
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