quarta-feira, 7 de julho de 2010

Notas

O homem que eu era voltou.

Eu disse ao garçom que quero que ele morra.
Em sua garçonnière ri com as notas de dinheiro.
Me trocou por uma de cem! Por uma! Só uma!

Mais um gim tônica.



Relato do Rolê Miado

Convidado feito um estranho senti certo receio. Mas os vários de mim convenceram a não duvidar, e lá fui, livro na cueca, cueca na calça, previnido de tédio-dos-outros-que-também-me-quer. Mas diacho que o cobrador do bús pra quem pedi informação não deu palavra durante a viagem, e dei por conta do infortúnio apenas no fim do passeio. Quis ligar, avisar que eu 'tava miado, mas não encontrei dois celulares no bolso. Embriagado de medo naquele terminal que eu não conhecia -que, eu temia, terminasse comigo antes que eu terminasse co'aquilo-, 'inda criei coragem e colei no orelhão. Avisar-lhes-ia a respeito das minhas condições em relação ao rolê, mas aqui o futuro do pretérito indica pro senhor que o efeito foi abortado: certa figura me pausou e puxou conversa. Disse-lhe que 'tava meio zuado pra discursar, mas o piá não me deixou em paz com história de família, de Jesus, de dinheiro, e eu gritei pro pivete que saísse do meu pé. Pois o trote foi duplo, o pai do pestinha me colou no ouvido antes mesmo que eu tirasse o gancho do fone. Veio sim, e veio com história de respeito, educação e o escambau, então eu simplesmente gritei que aquele cachorro fosse pro inferno. Pra quê?, o tio enlouqueceu, e também nunca vi pessoa mudar de cor de emputecida. Pois eu garanto, o mano lá do terminal ficou azul de raiva. Literalmente. Eu disse "Calma, campeão, eu só não dou o dinheiro porque 'cabaram de me roubar", mas o azulão parecia não estar mais interessado em nada senão me destruir. E, puta que pariu, eu não tinha grana nenhuma. Então um tio de bombeta e óculos mui bregas, feito o Roberto Carlos (com barriga feito gigante cisto), de longe me disse que não temesse, se tratava de televisiva anedota. Cristo! Bradei que pro inferno fossem com aquela maldita pilhéria, que eu não estava em condições et cætera. Uma semana depois apareci na televisão. Não assinei nada, não precisei, eles forjaram uma rubrica. Ignorei a ideia de processá-los. Comecei a comer uma mina que me conheceu por meio do programa de pegadinhas. Tanto melhor.

2 comentários:

Victor Hugo disse...

Eu ainda quero ter o prazer de ver seus textos publicados! *-* Eu amo este blog, poxa.

Potato Patata Caliente disse...

eu quero te dar 3kg de açucar com afeto é claro.
vou carimbar seu nome num papel bonito pra te dar de presente quando a gente se encontrar,com afeto é claro.