Relendo um capítulo fotocopiado de um livro do Lévi-Strauss - tive que ler na graduação, agora o retomo para o mestrado - me surpreendi com um pequeno manuscrito ao cabo do mesmo. Acho que sei do que se trata; durante uma mostra de cinema dinamarquês, senti-me motivado para assistir a segunda sessão (ironicamente, Dançando no escuro) por conta de um jovem garoto, branco com camisa xadrez, que eu segui - iludindo-me, talvez, por uma promessa de reciprocidade pouco factível. Após encontrar duas amigas, ele adentrou a sala de cinema, e eu atrás. Abandonou a sessão no meio. Destaquei uma parte supérflua de algum texto supérfluo que estava lendo e escrevi qualquer coisa, com meu contato junto, o telefone, se pá. Lembrei, escrevi algo do tipo "que tal comentarmos o filme juntos?", algo assim, e, tomando algum fôlego social, reportei às garotas, remanescentes da sessão a tarefa de repassar o manuscrito. Jamais obtive resposta.
Era como eu tivesse marcado um encontro. Sempre fiz isso, estava fazendo mais uma vez. Lendo o meu texto, porque comprometi-me com a faculdade, mas atento a todo movimento. Em cada um dos semblantes há um desejo não manifesto, uma vontade latente de sair perguntando toda a sua vida. No entanto, sinto, como calejadamente a experiência me permitiu, o bolo. Será que tem algo de errado? Mas que coisa! Por que eu não me convenço logo que esse moleque não passará na minha frente nunca mais?
1262011,
Talvez ele não goste mesmo de cinema dinamarquês, 19h58

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