Dei pra maldizer o nosso lar.
Música psicológica, meu player arueirava.
O hospital é um lugar eterno, paciente, pacientes esperavam a morte, ou pretendiam a vida.
É a volta do cipó de arueira no lombo de quem mandou dar!
Música psicológica, meu player passava o tempo.
Meu, foda-se, música é psicologia, sempre acho-achei, pronto-ferrou.
Mas batidas perfeitas e outros aristotelismos à parte, lá estava, pacientando, paz e então, eu.
Enquanto eu falo besteira nego vai se matando.
-Boa tarde, você gostaria de um bocado de luz?
-Gostaria.
-Então toma! Um pouco de luz nessa vida.
-Eu disse que gostaria, não que queria.
Um clima Kubrick, muzak, devia ser a Eldorado.
-Eu quero aquele relógio.
-Você quer o relógio ou as horas dele?
-Às horas só o grande tem acesso. Quero na verdade seus ponteiros, para apontar compromissos.
-Você quer o relógio ou os ponteiros dele?
-Quero mesmo os ponteiros.
Tudo muito branco e futurista, como se passasse num futuro alvo.
-Algo mais?
-Você tem dono?
-Sim.
-Você é escrava do seu dono?
-Sim.
-Desculpa, não sabia que você era feliz.
-Que bom que o senhor fez essa pergunta, já estava a me sentir constrangida.
A história não passa de história, por isso ninguém liga.
-Eu quero falar mais com você.
-Eu também quero.
-Adeus.
-Volte sempre.
Partido sempre será uma organização mal-sucedida. As coisas são partidas quando não funcionam, amigo.
As ruas não tinham música.
Mas o meu player toca sons psicológicos e eu sou feliz por ficar brisando aqui, escrevendo o que me dá, porque aquele meu leitor hipotético vai chegar e dizer que "deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar".
O rei chegou, e atrás dele o povo inteiro.
-Oh!
Às vezes saía um sentimento.
Voltou ao hospital que vendia compromissos.
-Desculpa! Não preciso mais disso, vou morrer de gripe agora.
-Foi um prazer negociar contigo.
sábado, 17 de outubro de 2009
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