terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sem título sobre uma dor avulsa

ou Distantes diálogos intertextuais machadianos.


Tô no pique. Carente de televisionismos eruditistas. Vinho, fossa standard, ou um bom livro, um bom par de olhos, que me digam as mais cegas besteiras, em uma ciclista noite. Me falta, e essa falta é tudo.

Ando no pique. Ali lanhado, sofrido, mexido, fingido. Sofrendo de tanto rir, num desespero chorado, um desespero afogado, acobertado, um veludo seco empoeirado, um riso gritado, de uma secura vocal. Me falta, e essa falta é tudo.

Danço no pique. Preciso de amores, de flores, de um amor-chocolate. Preciso me sentir vivo, de lábios que me labirintem, de cheiros que me pintem a alma, de uma alma que me morra o estresse. Me falta, e essa falta é tudo.

Vivo no pique. Nessas horas magras, ou gordas e insensatas, de tanta amarela sensatez, nesses momentos lúcidos. Nesses fracos frascos que sangüíneos explodem, agulhando o alvo, cândido inferno. Mas me falta, e essa falta é tudo.

Pique, esse fim de semana que nunca chega. Essa história recém-abortada, esperançosa de desfibrilamentos, esse pensar no que não-há-de-ser-ousado, esse sacro, que é um saco! Eu perco o fundo, flutuo um nada, ausência surda que me ensurdece as fibras. Porque me falta, você me falta, os momentos estão aí, mas você me escapa. Me falta você, me falta o ar, me falta a vergonha. Me falta!
E essa falta é tudo.

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