quinta-feira, 5 de agosto de 2010

turquesa
um surto de bela
de bela beleza
me esmago por ela
-por ela que é bela-
a linha turquesa



as câmeras se desmontaram.
falaram assim, que a maneira revolucionária de filmar está em não filmar. em outras palavras, elas reivindicaram por uma revolução cinematográfica de forma que elas deixassem de ser ferramenta para serem espectadoras de suas próprias vontades.
elas queriam apreender suas rotinas. então, se desmontaram, e o cinema deixou de ser desonesto, porque não podia ser mais nada.

e os homens cortaram seus pulsos, porque não suportaram ver a própria paisagem subverter os papéis, e se tornar cenário, uma parte da vida do cinematografador.
foram em busca de um mundo espetacular, na forma mais fácil de escapar do veneno da pessoalidade.
e a falta de solidão é
i n s u p o r t á v e l .



talvez a vibe não seja tanto mostrar o mal-estar, mas sim a realidade com o mal-estar intrínseco ao (seu) imaginário (real); explicitadas as fraquezas, o mal-estar, cuja iminência será objetivada na experiência do espectador, refletirá a realidade utópica produzida pela ferramenta.
esse "tornar-se objetivo" será o instigar o público automaticamente.
I - um desafio seria o da fidedignidade com o real
II - outro seria a parcimonialidade (aparente, afinal, a parcimonialidade -esse parâmetro baseado em valores- é relativa; a única coisa -além dos fatores extrínsecos a esta análise, como a desonestidade implícita na câmera-, portanto, que é inevitável neste viés das coisas objetivas, é a parcialidade, ao menos, social)
III - o terceiro desafio é instigar o público. tentativas serão feitas com a) o interesse da reflexão e b) o interesse da percepção
IV - talvez o maior desafio seja o de mostrar o mal-estar sem este estigma; simplesmente o de escancarar questões em uma realidade utópica (ao menos social, parcialmente)
estes serão os fundamentos-ideais desta técnica de audiovisualização que busca tornar cognoscíveis, inteligíveis e apreciáveis os cotidianos das vidas modernas.



capivaras

nós odiamos as capivaras porque elas são totalmente passivas e inanimadas em relação às nossas tentativas de estimulá-las.



para Eu que faço Ciências Sociais a realidade nua e crua é belíssima. ela me instiga. para quem não está acostumado a objetivá-la em uma experiência sócio-contemplativa, recomendo esfregá-la na cara. essa realidade pode causar mal-estar, embora eu a admire, e se isto acontece, regozijo. nada mais arrebatadoramente excitante do que o mal-estar dos outros.

3 comentários:

André Carvalho disse...

Nossa, é o manifesto do dogma 95!!! além de sua clarividencia, o que atina minha curiosidade é, por quais motivos, quais angustias você e os cineastas do dogma 95(o unico que meu curto conhecimento ja viu, foi o Von Trier), levaram a essa necessidade de exposição da realidade "crua".
Sinceramente acho q foi um ideal nietzscheano de busca do "além-do-homem", de um despertar dos valores.
É fantastico seu diagnostico da capivara, quantas capivaras não encontramos na nossa vida, na universidade, no shopping, em todos os lugare, são simplesmente blasé (me corrija se uso Simmel inadequadamente).
Você se tornará tal qual Zaratustra, o profeta e o precursor do "além-da-capivara"

mad disse...

nós odiamos as capivaras porque elas são totalmente passivas e inanimadas em relação às nossas tentativas de estimulá-las.

foda auisdiuhaidsuhaisudhiaudhs

mad disse...

a pergunta que não quer clar pq vomitaram no link?