sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Grande bobagem

Casal imbatível, eu e o Eduardo?
Que grande besteira!


APOCALIPSE
perto da uma hora - não sei se o suficiente*
(paraíso) as estrelas trigo-luziram, delas despencaram -água fresca & palmeira tropical- suas graças-senhoras.
a lua tosca era fosca -transmutação para umbigo verde no terrorismo que andava. que andava de mãos dadas com(o presente)igo.
(caos) chuva de cinismo. carregado cores insanas peguei-lhe a vida, calejada de precárias armaduras.
os dedos mais bonitos do mundo.
duas tentativas, acuadas, são o mundo, têm o mundo, hoje de madrugada, e sabem disso.

*a gente nunca sabe

(na) madrugada mais linda do mundo, 1912011


Crônica de um janeiro

Leio duas páginas do Foucault. Me desafia a empreitada-biografia-da-Elis-Regina (de uma quase homônima Regina Echeverria); o desfrute é maravilhoso, exceto a coceira nasal pós-leitura. Tentando considerar outros estados de espírito ponho a moça Waleska, no septagésimo quarto A Fossa, uma primorosa tentativa de resumir num bolachão a história da depressão boêmia da elite descolada intelectual quarentas-setentas. Primorosa tentativa.
Ah! Esse cara tem me consumido. A mim e a tudo que eu quis. Com seus olhinhos infantis. Como os olhos de um bandido. Ele está na minha vida porque quer. Eu estou pro que der e vier. Ele chega ao anoitecer. Quando vem a madrugada ele some. Ele é quem quer. Ele é homem. E eu sou apenas uma mulher.
Sobre os livros chocolates alemães inibidos sob plástico, sufocante e alvo véu. Recém-ganhados. Palmeira tropical, charminho lilás, sereia, água fresca, pistache e base vitaminada estão à esquerda desse coletivo de teclas. À direita NIVEA for men SENSITIVE PROTECT, extrato de camomila. Um malbec d'O Boticário. E Waleska cantando.
Pareço mais vivo hoje. Mais do que o dia retrasado, para mim mesmo. Redundante não. Fiquei contente. Com ele de novo. Na despedida, né? Tivemos todos um dia mais ou menos peculiar. Me senti na obrigação de trazer coesão ao rolê. Não foi um fracasso total. Só sei que, se despedindo, nos olhamos. E a incisiva iniciativa foi sua. A acompanhei, naquele misto de vontade e bichinho acuado. Nos despedimos da tarde fracassada na esguelha da esperança. A mais esperançosa. A mais sedenta e seca.
No canto dos seus olhos estou vivendo bem como nunca.
E quem diria... Se soubesse dos teus olhos, não tinha namorado com ninguém não. Basta cinco segundos de recíproca ocular, e me sinto o homem mais completo do mundo. Carência? Não sei mais como definir.
Essa é a coisa mais linda do mundo. Sabe mais? Não me importa mais nada.
Ah! Você está vendo só do jeito que eu fiquei e que tudo ficou? Uma tristeza tão grande nas coisas mais simples que você tocou. A nossa casa, querido, já estava acostumada guardando você. As flores na janela sorriam, cantavam por causa de você. Olhe meu bem, nunca mais nos deixe por favor. Somos a vida e o sonho, nós somos o amor. Entre meu bem, por favor, não deixe o mundo mau lhe levar outra vez. Me abrace simplesmente, não fale, não lembre, não chore meu bem.

1h22
2712011


st #grande sonho

Há uma cena no início do Enigma de Kaspar Hauser, Herzog, 1974, que retrata algo parecido com um trigal sofrendo intensamente a ação do vento e formando enormes e violentas ondas douradas.
Fico pensando se, ao invés de trigo, se tratasse de pêlos. Estar ali seria o meu maior sonho.

1h39
2912011


Sintoma

Hoje pensei bastante em você.