quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O texto das quatro horas.

É na madrugada indiferente, e por isso inexoravelmente tolerante, que eu pretamente saio, com meu cabelo verde e meu capacete dourado, após uma maratona de leitura sobre geopolítica (um "estudar" entre aspas, devido ao grande número de digressões mentais de fundo virtual, armadilhas que o hipertexto e a obrigação do status nos prega), acompanhado do meu alazão, grã-Heloísa, amiga minha há um ano e meio.
Como são amigas minhas essas ruas, apesar dos demais aventureiros motorizados -ai! eu odeio dividir espaço!- que também por elas vagam, feito eu, um retardo mental voluntário, pelas quatro horas da manhã, sob este céu que não tem estrelas. Divisa da Água Rasa, Anália Franco, até a boquinha da Vila Formosa, essas artérias cujos nomes eu sempre esqueço, e que pra mim só têm utilidade quando eu as "domino" -sim! entre aspas, porque jamais passará de apenas sensação-, preenchendo o impreenchível com a minha voz rouca de quatro semanas (e portanto um mês) com as melodias do Ivan Lins que eu tanto gosto -mas é porque o meu mp4 player fatalmente mudou de dono.
E que prazer esse meu agora, escrevendo este texto sem valor estético algum, com a companhia invisível do Ennio Morricone, nesta escrivaninha desarrumada como a minha cabeça, e eu até penso que sou mais feliz do que pensava -mas isso é um pensamento de aluguel, já sei da perenidade & perpetuação da minha felicidade! Ontem, enquanto meu cabelo deixava de ser castanho para se tornar diesel green, fixei meus olhos nos olhos da minha amiga Daniela e disse-lhe com uma firmeza de fundamentalista, que certamente o nosso futuro ia ser muito legal, e isso era absolutamente certo -o oposto seria insólito.
Quero concluir isto agora. Amanhã tem mais Economia, e História, e Literatura, e talvez à noite eu vá ao cinema com o Jackson, assistir a um filme muito ruim do Cinemark, mas é só porque ele vai pagar -pelo menos eu espero. Acho que vou salvar este texto, agora às quatro e quarenta e oito -segundo o horário psicopata deste meu PêCê psicopata-, e ir me olhar no espelho, e talvez eu até sorria.
Talvez nada, eu vou sorrir e acabou!

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