domingo, 20 de dezembro de 2009

Delírio existencial.

É a coisa que os homens fazem, transformar tudo em poesia o tempo inteiro, embora todos eles neguem. Quando olho pr'este céu que não tem estrelas, ou espremo a minha vista tentando conquistar as tantas paredes precárias deste meu bairro de mentira, é que não tem nada mais nessas coisas que eu procure que não seja poesia, pra abastecer meu coração de energia. Quando dissimulo afeto (ou simplesmente me envolvo) por uma aranha que mora na janela do banheiro, busco poesia, e quando me deixo levar pela pseudo-rebeldia implícita nas moléculas etílicas de um bombeirinho (pr'arranjar pretexto para dizer às pessoas aquilo que eu não tenho motivos para falar quando eu estou sóbrio) busco poesia, e quando eu me sinto sozinho, abstêmio de amor, é nela que me refugio, a ponto d'eu não conseguir mais saber diferenciar o que é real do que é poético, o que é sonho do que é palpável, o que é sensato do que é invisível.
Acho que estou entrando em outra dimensão.

[Samanta está viva! Cuidando da prole. Confesso, estou com um receio (bobo, talvez) de ter minha casa infestada por suas descendentes...]

Um comentário:

merdas de Potato disse...

acho que Samanta é imortal como o meu Grande Alexandre.