quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O texto das dezesseis horas.

Mas eu te espero na porta das manhãs, porque o grito dos teus olhos é mais e mais e mais, e depois que você partiu, o mel da vida apodreceu na minha boca.Alinhar à direita
Tom Zé


Hoje boicotei mais uma manhã, porque desisti delas -todas muito vulgares, essas manhãs indecentes-, de todas elas -até a obrigação me impedir de boicotá-las novamente. Comi um peixe -hoje eu defendo e piscicultura, única e exclusivamente a piscicultura, pelo fato de eu temer um dia ser comido por um peixe-, e o macarrão tinha muito óleo de oliva. Não tinha bebida, mas em contrapartida pus o Pucho & His Latin Soul Brothers pra tocar, pra parecer um pouco mais chique (embora uma pessoa com geografia zê-életista, "anômala" sexualmente e com um gramado na cabeça esteja bem longe de se encaixar em uma esteriotipação "chique" -yes! livre de mais um estigma!), e comi pensando em várias coisas que logicamente eu não lembro mais. Li uma resenha sobre o Graciliano Ramos, um resumo feito pela minha mãe sobre planos anti-inflacionários no Brasil, e já me dei por vencido. Peguei um livro de História do Brasil, outro de História Geral, um chamado Mercado Financeiro, e percebi que nas minhas atuais circunstâncias eu não conseguiria lê-los sem ser acometido por um feroz sono. Lembrei de uma música do Tom Zé, que me lembrou mais uma vez o Daniel. Aqui faz um calor absurdo e o meu nariz irritado 'tá me irritando com sucesso. Quero tomar um banho que não vai me limpar, porque eu já estou limpo. O Jackson me ligou, espero que ele não se importe com o meu new diesel green hair. Foda-se se ele se importar, eu não vou casar com ele mesmo. Acho que o Francisco desaprovaria o meu cabelo novo, porque ele é muito sério. Mas foda-se também; desculpe baby, eu vou viver mais pra mim, eu vou correndo buscar a glória. Viciei em um estilo de música, um eletro-jazz, eletro-samba, eletro-bossa, eletro-soul, achei extra-easygoing pra estudar, melhor do que o Ravel, o Gershwin e o Debussy que eu 'tava ouvindo antes. Talvez eu esteja me boicotando, mas se o tio Freud 'tivesse aqui eu virava pra ele e rispidamente diria logo que "ó, tio! eu quero tomar banho sim e acabou!", ao que ele estupefato viraria as costas e sairia pra dar uma cheiradinha, já que nunca soube falar português -blefe. E pra quem é partidário dele, estou aqui desafiando: quero que vocês me impeçam agora de ir tomar um banho!
Vocês acham mesmo que conseguem? Bando de impotentes!

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