A vitrine de salgados do Starbucks me alentando do mundo externo nojento do shopping de terceiro mundo com crianças ramelentas gemendo feito cabras num campo de concentração e felizmente eu posso fingir que nada disso está acontecendo porque eu estou prestes a pedir um frapuccino venti, ou grande, porque eu sou uma ameba numa constelação de homens adúlteros e adúlteras adulteradas e velhas chechelentas com furúnculos nos grandes lábios e lábios cheios de afecções que o tempo lhes presenteou com um laço feito dos trapos da Morte, que mora dentro e fora de todos esses corações de gente escrota fazendo compras em lojas de departamento e cagando, porque a única coisa que esse povo sabe fazer é cagar como se o mundo fosse um grande jardim seco e empoeirado pronto pra ser adubado pela merdinha mole e fedida dos nossos filhos, a merda sangrenta dos adultos e o esguicho verde dos velhos imprestáveis que comem a própria bosta no asilo porque lhes ensinaram que é importante ter um prato colorido no programa de saúde da televisão torpe, mas eu nunca vou ter que lidar com isso porque eu vou morar dentro da Starbucks junto com os muffins de gruyère e nem a tropa de choque vai me tirar porque eu serei rico e eles na verdade vão conduzir a reintegração de posse quando esses mamelucos, cafuçus e mulatos e gordas rosadas e policiais militares inválidos tetraplégicos entrarem dentro do MEU Starbucks e então eu vou gritar tão alto que até um eunuco surdo na Papua vai entender que EU NÃO QUERO NINGUÉM DENTRO DO MEU STARBUCKS e que estou muito bem, obrigado, sem nenhuma criança ramelenta cagando no meu quiche e vomitando detox no chão ou tendo que baixar meu seriado japonês a uma velocidade inferior a um carro popular porque um viadinho emergente está lotando o whatsapp de um pedófilo careca com selfies sem autocomplacência com o intuito único de divulgar a perversão e a mediocridade que, no entanto, não vão existir dentro do MEU Starbucks, ou não me chamo Wesley, que é um nome horroroso de pobre porque a vaca da minha progenitora sabe dilatar a buceta mas não sabe nem ler bula de remédio, mas eu me chamo Starley a partir de agora, e este é o meu reino, e aqui dentro o wi-fi é só meu e o muzak também, e não vai tocar nem Bruno Mars nem Lana del Rey e nem aqueles viados californianos, nem aquelas sapatões reprimidas, nem cegos ou pretos, só vai tocar música de gente, e nada melhor do que uma pessoa do MEU nível para definir que música tocar num ambiente tão arrojado quanto o MEU Starbucks, o Starbucks do Starley, que não vai ter ovo de Páscoa pendurado, cruz, retrato do Obama, Aparecida, não vai ter nada disso, vai ter EU e ELE, o Starbucks com o design de interiores mais impecável que o projeto da Ópera de Sidney, a conjugação perfeita e harmônica entre Gaudí e Bauhaus, não aquela viadagem do Niemeyer, porque comunista é tudo viado, e eu não sou comunista, nem viado, nem o Palácio do Planalto, eu sou Starley, que é dono do Starbucks e habita uma vitrine cheia de gloriosos muffins de café da Sumatra e rocamboles de queijo gouda com pimenta, porque é hype pôr pimenta, esses chefs, todos viados, sempre põe pimenta em tudo, até no cu da mãe, mas ninguém vai por pimenta no cu de ninguém dentro do MEU Starbucks, porque EU decido onde vai o quê e a pimenta tá proibida de entrar no meu cu e autorizada a entrar no rocambole, e o rocambole vai entrar no cu daqueles funkeiros sádicos que ficam olhando o MEU Starbucks do lado de fora segurando aqueles skates, que vão ser o único meio pessoal de transporte que eles terão condições de adquirir durante toda a prescindível vida, e talvez um fone de ouvido, mas acho que não, porque eles preferem foder a vida de todo mundo com aquela sacanagem verborrágica e eu só quero tocar um jazz, eu não conheço nenhum músico de jazz, me falaram que Johnny Cash não é jazz, mas pode tocar, e vai tocar jazz sim, porque jazz que é música de gente, o que não é música de gente, esse barulho infernal de cocota gemendo que até na novela passa e todo mundo acha lindo música de cocota gemer, os cafuzos adoram ver uma cafuza introduzindo uma garrafa de molho shoyu na buceta, mas no MEU Starbucks, Starley's Starbucks, não vai ter buceta na tevê, não vai ter nem tevê, e se tiver só vai passar CNN, e não Globo News porque brasileiro não sabe nem limpar o cu, desde pequeno, e por isso a Pampers é tão cara, vamos todos comer fralda que tá valendo mais que o salmão, mas é que aqui a gente valoriza merda, e por isso no MEU Starbucks só vai ter jazz e CNN e pimenta e Gaudí e Bauhaus, mas Bauhaus não é aquela banda horrorosa que aqueles góticos viciados em pedra ouvem enquanto se masturbam com patas de teiú, é uma escola de belas artes, não essa porcaria de Romero Britto, Niemeyer, Lana del Rey, é arte mesmo, que nem jazz, que nem a CNN e os croissants de chocolate belga à base de cacau do Quênia, porque a única coisa que esse paiseco imprestável deve servir é o cacau, e no máximo uns corredores, porque o povo lá deve correr muito da polícia, que nem esses hippies sujos que infestam a porta do MEU Starbucks, mas eu tenho o telefone da tropa de choque e hippie nenhum vai atrapalhar minha vida aqui dentro com os cafés importados e o wi-fi e a noz moscada e o jazz, finalmente será eu comigo mesmo e os croissants e os frapuccinos venti de bacalhau norueguês não aqueles cuzcuz com margarina de gordura de feto de exu que a minha mãe me punha goela abaixo como foie-gras, que nem esses pobretões que ficam no metrô tentando pôr aquele lorota pseudo-beatnik goela abaixo como se fossem gênios incompreendidos, mas não passam de uns desabrigados sem auto-compaixão que JAMAIS vão entrar no MEU Starbucks porque no MEU Starbucks, o do Starley, não vai entrar nenhum viadinho pequeno-burguês, porque os beatniks não passavam disso, ficavam bebendo uísque pseudo-burguês e comendo merda pequeno-burguesa como caviar, e esses pretos no metrô nunca vão sentir o cheiro de caviar, porque eles acham que é mais útil se pintar de prata e ficar parado em cima de uma caixa de feira no viaduto Santa Ifigênia do que fazer um curso técnico de torneiro mecânico, que nem o bosta do meu avô, que morreu porque era mais burro que uma porta, de infecção no fígado, mas nem sei por que estou me preocupando, porque dentro do MEU Starbucks não vai ter preto pseudo-beatnik, torneiro mecânico nem infecção hepática, vai ter irish coffee, uísque White Horse, e não esses choconhaques de Dreher que os alcoólatras tomam em manhãs de frio antes do trabalho achando que são o Tony Ramos, mas isso para aqueles que trabalham, porque se tem uma coisa que esse povo não suporta é trabalho, trabalho dá coceira neles, urticária, eles preferem passar pimenta no olho, urtiga naqueles bagos imundos, tomar sopa de Diabo Verde do que trabalhar, povinho de merda, que nem sabe pronunciar o nome do MEU Starbucks, não sabe pronunciar nem o MEU nome, Starley, mas é desavergonhado o suficiente pra batizar um feto piolhento de Wesley, mas eu não conheço UM intelectual protestante que seja, nem da virada do XIX pro XX, que tenha esse nome, Wesley, Wesley!, esse povo tirou esse nome da cabeça, e isso certamente é culpa dessas cantoras pretas do Timor Leste que fazem sucesso cantando eletro-pop seminuas no Saturday Night Live, que são feitas de plásticos e fármacos tóxicos e photoshop e autotune, bom mesmo é o jazz do MEU Starbucks e o Johnny Cash, e nenhuma cantora preta do Panamá ou da República Dominicana, e nem a Lana Del Rey nem o Niemeyer e nenhum viado beatnik vestido de estátua, ninguém tá autorizado a entrar na Starley Land, só os muffins multigrãos com perfume de flor de laranjeira e recheio de blueberry, mas só eu na minha família sabe o que é um blueberry, e se eu chegar na minha casa com um pacote de mirtilos eles vão achar que são ovas de pescada estragadas ou uvas passas in natura, porque esses cretinos não sabem nem a diferença entre uva e uva passa, eles nunca colocaram uma uva Thompson na boca, porque eles não entendem nada de uva, nem de química, tampouco de Ciência Política, e se eu falar Thompson em casa eles vão achar que é uma música do Michael Jackson, porque é a única coisa em inglês que eles sabem pronunciar, porque esse pedófilo resolveu morrer e levar todo mundo junto no rádio e na televisão então eu desejo que ele morra muitas vezes ainda, de preferência com sofrimento, e que todo dia uma ave perfure seu fígado, mas eu não acredito nessa viagem de reencarnação, transubstanciação, juízo final, agnosticismo, pra mim é tudo coisa de assexuais frustradas e velhas perplexas e putas aidéticas e travecos mamelucos e índios convertidos e portugueses mais fedidos que o camembert importado que vai rechear os sandwichs de panini que constarão fresquíssimos na vitrine do MEU Starbucks, lar, vida, casa, e não vai ter nenhum ateu brocha, quaker ou depressivo niilista auto-mutilado que vai impedir o jazz de ecoar lá dentro, com o aroma de flor de laranjeira e o MEU wi-fi, a MINHA CNN, MEUS muffins de jamón, MEUS carpaccios etéreos de licor de ameixa, MINHAS paredes damasco, MEUS detox orgânicos, MEUS irish coffees, e se vier algum analfabeto funcional, ou seja, qualquer exemplar desprezível desta nação de espécimes desprezíveis, que vão ao karaokê, assistem novela e bebem choconhaque de Dreher e comem a própria bosta, se qualquer um desses vândalos da humanidade cogitar avançar um passo em direção a interior do MEU Starbucks, o MEUZINHO, a tropa de choque vai atravessá-los com espadas de samurai, porque além dos policias serem um bando de submissos reprimidos que pagam em dólar pra chupar o dedão preto de um fubanguinho aidético preto, o Brasil é o único país que vende espada de samurai num quiosque de rodoviária, como se todo mundo precisasse de uma espada de samurai pra sair de Poá e chegar em Governador Valadares, tudo cidade de pobre, então que a tropa de choque sirva pra alguma coisa, que seja furar esses lumpemproletariados viciados em lança-perfume que sonham entrar no MEU Café de altíssima excelência, do Mr. Starley, até a rainha da Inglaterra vai se ajoelhar de lingerie pra eu deixar ela entrar, O please mr. Starley, let me get to your feet, e eu vou lhe dizer, O please lady, don't be ridiculous, I'll call the shock caps, porque os Shocks Caps serão samurais treinados e vai ser só discar o redial, e o MEU Starbucks com chantily de leite de cabra e background damasco e aroma de tâmaras vai ser mais importante que o Brasil, que a Inglaterra, que a lingerie, só não vai ser mais importante que eu, afinal, ele só existirá por minha causa e só dentro da vitrine finalmente minha existência fará sentido, minha, dos muffins, do universo, será a realização da síntese dialética que rege a humanidade, o gran finale, uma parada do início do meio e o meio do fim, nós, eu, os muffins, o Johnny Cash, os damascos, vamos irradiar civilidade para o resto daqueles alienados comedores de bosta [TO BE CONTINUED]
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