domingo, 27 de dezembro de 2009

os quatro segundos que me provaram
que é fato: o mundo é um troço insano.
que eu não sei lidar com isso que me deram
-eu quero livrar-me de entrar pelo cano.

eu quero sair já desta paranoia,
e se eu não fugir depressa e correndo
eu vou é morrer, me matar joia, joia,
ou enriquecer, viver joia morrendo

e isso não passa de um vaticínio.
estou é à cata de um grã-futuro;
se sobre as pessoas exerço fascínio,
juro, isso me soa como um apuro.

o meu capacete na manhã urgente
é o meu lembrete de que sou humano.
minha bicicleta e toda essa gente
me provam asceta: mundo troço insano.

26 12 2009



vai encontrar esta noite um amor sem pagar

I-denúncia

carros.
estacionam.
garotos.
olhos felinos.
amor premioso.
amor premiado.
estrelas binoculares.
punição cósmica.
nuvens cor-de-carne.
carne desejada & carne sem desejo.
eis. o. beijo.
paixão estacionada.
carros.


II

havia um quê de serenatas. nada se ouvia, contudo. até o enrustido ronco dos motores parecia não ter som. nada, nada se ouvia. as famílias dormiam em paz. em volta da praça os carros dançavam obscuros e silenciosos feito urubus. no afresco da noite, um véu nublado, uma estrela esquecida, árvores resmungonas e olhares ocultos. alguns carros, mais caros que casas às vezes, traçavam rotas avulsas para o mesmo fim: a felicidade comprada -ou o sangue encantado-, tentando provar para seus donos que a impotência se cura com gasolina, muitas cilindradas e sexo sem palavras. a angústia muitas vezes atravessava os sussurros mercenários. muitos ainda não entendem como funciona o capitalismo do amor, mas, por falta de intuição, nós temos o instinto. a Lua envergonhada se cobre para ninguém vê-la vermelha. e aqui o amor funciona como deve funcionar, sem serenatas, sem som, sem nada.

27 12 2009

3 comentários:

merdas de Potato disse...

se vc me desse sua mão me casaria com vc,mas talvez nossos órgãos sexuais nõ sejam atrativos para ambas as partes.

renato sereno disse...

vc tem algum fetiche com automóveis?
li seu Amor Irreversível, gostei bastante. Adoro textos que relatam situações nas quais nada acontece, mas tudo é dito! vc simplesmente passou um aspirador de pó na cabeça, tirou e filtrou todos os pensamentos...
sem querer cair no cliché, mas taí o lirismo poético desse texto...

LM disse...

ooooooooooooooi
bebe, você precisa saber da piscina e assistir ao filme, ervas daninhas!!!

:) TUA CARAAAAAAAAAAAAAAAAA super no sense o filme suhsuhsausa edo diretor de medos publicos!!

beeeeeeeijo tenho textos mais to com pregui de por no blogueee, :)